quarta-feira, 21 de junho de 2017

POETA NÃO SOU 115

Estou louco, 
Louco de paixão.
Não me conformo
Com esta separação.
Queria ver-te.
Preciso ver-te.
Porque o teu olhar, 
O teu andar, a tua beleza
É o meu alimento.
Nada mais peço.
Nada mais quero.
E se aquilo que sinto
Nada te vai dizer,
Não me faças sofrer,
Não me dando
Uns breves segundos,
Do teu belo 
E encantador ser.
Nov97
JC


segunda-feira, 12 de junho de 2017

A FALACIA DA CULTURA OCIDENTAL

Carlos Magno não sabia ler nem escrever mas soube valorizar o ensino mantendo os conhecimentos classicos ( grego e latim ) funcionando as escolas junto dos mosteiros, dos bispados ou das cortes.
Nas escolas ensinavam-se as sete artes liberais herdadas dos gregos: aritmetica, geometria, astronomia, musica, gramatica, retorica e dialectica.
Dialectica ou arte de dialogar, de debater, de raciocinar e sobretudo de questionar.
Perante uma asserção conhecida e já aceite, um qualquer podia questionar o mestre sobre se não poderia ser  ou deveria ser de outra maneira e assim sucessivamente.
Embora algus considerem a dialectica uma maneira de filosofar, para os mestres gregos não o era, mas antes a tentativa de conhecimento e de saber, não se satisfazendo com " dogmas ".
A dilectica é o oposto do dogma. Se a filosofia é o desejo de saber e a tradução do grego é " amigo de saber " a dialectica era o instrumento para se alcançar novos saberes, como dizem hoje, da discussão nasce a luz, alcançando assim o maximo de conhecimento, saltando mais um degrau.
A dialectica seria o metodo para rebater as ideias e os dados adquiridos questionando e respondendo.
A dialectica deve ser considerada uma forma de pensamento ou um pensamento novo, questionando, debatendo e não o pensamento.
Dialectica tambem não pode ser uma aparência ou uma ilusão mas uma tentativa de explicação do desconhecido ou não adquirido como verdade.
Dialectica tambem nunca podera ser " a arte de ter razão " ou uma estrategia para ganhar uma discussão, independentemente de ter razão ou não.
A escolastica medieval e respectivo ensino duranre cerca de oito seculos manteve a dialectica numa das vertentes do seu metodo de ensino, herdado dos gregos.
Alguns temas que antes não faziam parte do universo do pensamento grego, como providência e revelação divina passaram a fazer parte de temáticas filosoficas atraves da igreja catolica. Tentava conciliar elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual. Foi introduzido no ensino e na cultura ocidental o espiritismo.
A glosa era a interpretação e explicação ordinaria da biblia recente aprovada por Constantino.
As glosas eram utilizadas no sistema educacional do mundo cristão romano, nas escolas do periodo carolingeo em diante e só foram abandonadas no sec. XIV.
Era um comentario e interpretação padrão sobre as escrituras na europa ocidental com influencia na teologia e cultura cristã do ocidente.
A glosa latina não é inovadora mas uma transcrição da glosa grega.
Era uma tentativa de explicação de uma palavra do texto ou a propria explicação. Uma explicação de uma dificuldade puramente verbal do texto , com exclusão das explicações exigidas pelas obscuridades doutrinarias do novo texto biblico.
O que inicialmente foi apenas um comentario explicativo de alguma duvida passou a ser com o tempo parte integrante da " palavra de deus ".
Ao prescindir da dialectica o pensamento estagnou e procurou explicação atraves da metafisica sempre com o estudo dos filosofos gregos.
Quando a filosofia grega chegou ao fim , uma aberração intelectual, deu lugar ao progresso da teologia natural e ao progresso da metafisica e a metafisica ficou, absolutamente, sob a influência da religião catolica, apostolica e romana.
A metafisica pode existir mas precisa de demonstração o que é improvavel. Só a fisica se comprova e não linearmente.
A unica via para a explicação do não conhecido é a dialectica universal.
Alem de que tudo o que é e foi intelectualmente respeitavel já tinha sido dito pelos gregos e Egiptios antes.
Daí alguns considerarem a filosofia contemporanea um estado caotico por se ter perdido o conhecimento de alguns principios fundamentais, que por serem verdadeiros, são os unicos em que se pode fundamentar toda a especulação dialectica.
O mais importante desses principios é o Ser Humano é e sendo é o centro do universo.
Porque é muito facil jogar com os cantrarios, isto é, onde o pensamento desarticulado predomina, a verdade não pode ser alcançada ao nivel do concreto e do objectivo, para logo se afirmar, que a verdade pode ser encontrada mesmo na metafisica. 
Elementar contradição ou jogo dos contrarios.
Porque no buraco negro do espiritismo cabe toda a especulação desarticulada ou não e muito facil de explicar :
Tudo tem um horizonte proximo e palpavel. 
É preciso ter fé.
JUN 2017
JC




PORTA NÃO SOU 114

FATALISMO

Fatal contradição
De te querer ter
Junto a mim
Para te poder apreciar,
E toda a tua beleza
E encanto
Poder absorver.
E assim minorar 
O meu sofrimento.
Dilema de saber,
Que não posso desejar
Mais que um simples sonhar,
De por aí te poder encontrar,
Porque nada mais me resta
Do que sofrer em silêncio
E de me conformar 
Com um viver
Longe, muito longe
De ti.
Sem nunca te encontrar.
Nov 97
JC

domingo, 11 de junho de 2017

POETA NÃO SOU 113

Tenho,
Um vaso com uma flor,
A mais bela de todas,
Que quando a olho
Me faz sonhar
Com o paraíso.
Seu jardineiro não posso ser,
Nem tratar dela 
Todos os dias.
E assim, poder acompanhar
Se continua bela,
Encantadora e brilhante,
Vendo, quando a olho, 
Um pouco do paraiso.
Resta-me o inferno
De a ter longe
E este fogo que me atormenta
Se tornar eterno.
Nov 97
JC

POETA NÃO SOU 112

Tropecei 
Nos teus olhos verdes
De olhar aveludado,
Meigo e profundo
E nas suas profundezas
Fui cair.
E desse tombo,
Fiquei abalado.
Ainda estou debilitado.
Não sei se vou ficar curado.
Porque, não consigo
Voltar costas
E o meu pensamento
Me empurra
Em constante movimento,
Não me deixando esquecer
Esses momentos fugazes
De felicidade e encantamento.
Olhos verdes.
Encontro e lamento.
JC

quinta-feira, 8 de junho de 2017

MITOS CLONADOS

Por ocidental entenda-se os herdeiros do antigo império romano do ocidente, que por sua vez teve origem no imperio carolingeo.
Os gregos centravam e desenvolveram os modos de pensamento, que assentavam em dois pilares: o raciocinio e o mito, sendo o mito tudo aquilo que dizia respeito à imaginação com uma elevada dose de persuasão, sendo aqui que se criaram as fabulas mais absurdas e mirabulantes, que os gregos criaram e conseguiram divulgar por toda a europa.
Os mitos, fruto da imaginação eram dados e cada um acreditava ou não neles.
Para os gregos as pessoas eram livres de pensar e em questão de fé nenhuma autoridade religiosa a impunha. Poucos pensavam, claro, como hoje.
Não assim com a fé imposta ou tentativa de imposição da fé e seus dogmas pelos criadores politico-religiosos da fé católica apostolica e romana.
Quantos morreram na fogueira por não renegarem aquilo em que  já acreditavam?
Veio da mitologia grega o conceito de barro como material moldavel e a mitologia era semelhante à argila com que os poetas gregos modelavam a seu belprazer mil imagens diversas, modificando-as , adaptando-as, atribuindo-lhes esta ou aquela significação moral de acordo com as suas conveniências ou inventadas por prazer. À medida da imaginação de cada autor.
Como aquela atribuida a Platão da criação dos Seres Humanos em que todos tinham duas cabeças, quatro braços e quatro pernas, com uma força que se tornou temivel.
Para enfraquecer os Seres Humanos dividiram em dois, cada parte ficando autonoma da outra.
E assim nasceu a Humanidade actual. Como ainda hoje tudo fazem, as elites, para enfraquecer o brilhante Ser Humano.
Uma criação sui generis e que nada tem a ver com a criação catolica ocidental da criação do Adão.
E daqui nasce o mito da essencia do Amor, tema bastante glosado, pois que cada metade se sente incompleta e procura desesperadamente a parte que deve completa-la.
Ainda não encontrei a minha metade, mas não perco a esperança.
A mitologia helenica depende de uma função inerente ao espirito Humano- a faculdade de criar realidades imaginarias.
Embora não se confunda coma  religião a mitologia grega esta em estreita relação com a religião.
Com uma pequena diferença: Como já foi dito a mitologia não era imposta, a religião ao contrario é imposta pelas elites religiosas, que a procuram impor a qualquer custo, particularmente a igreja catolica apostolica e romana. Não conheço outra tão severa.
Ou aceitas ter fé ou és ostracizado.
A mitologia tem como caracteristica essencial atrair do divino, os deuses, à terra e abolir toda a distância entre o imortal e o mortal.
Parece que o ocidente romano e papal seguiu o caminho contrario colocando o " seu deus " no céu distante, inexistente, e incompreensivel para alguns, como é o meu caso.
Para os gregos os deuses, no plural, têm uma biografia semelhante aos Seres Humanos.
E não podia ser de outra maneira pois o Ser Humano é o centro do Universo e dele tudo depende e foi, é, criado.
Sejam mitos, fabulas, milagres, profecias, visões, chamamentos, adivinhação, espiritismos, etc. Nada é anterior ao Ser Humano e tudo resulta da sua imensa e brilhante imaginação.
Para os gregos os deuses descerão à terra, misturando-se com os Humanos e encarnarão neles.
No ocidente romano/catolico os Humanos é que sobem ao céu !! para serem julgados pelos " deuses ".
No conjunto dos mitos muitas lendas têm um sabor popular e folclorico.
No entanto todas as lendas , que parecem resultar de uma reflexão sobre ritos ou imagens estranhas à tradição primitiva dos Helenos, que quando chegaram às margens do mediterraneo encontraram divindades e cultos cuja significação não compreenderam.
Havia divindades  comuns a todos os gregos , mas os mitos não tinham um caracter de generalidade, de acordo com as variantes locais, que surgiram aqui e ali.
As alusões às " genealogias divinas " pressupoem a existencia de uma mitologia já constituida relativamente às pessoas divinas e às tradições lendarias em que surgem " Herois" , seres semi-humanos, semi-divinos, que resultam da união de um deus e de um mortal.
Aqui o ocidente tambem andou ao contrario dos gregos e criou o mito da virgem maria e de um " cristo " solteirão e sem familia.
Este ou aquele heroi foram outrora divindades e o seu tumulo tornou-se local de culto e santo.
Aqui a religião romana tambem fez uma copia do já existente.
A mitologia helenica criou varios ciclos como as teogonias ou seja a historia da engendração dos deuses em simultaneo com a da criação, sendo uma ideia que ocorreu aos gregos do exterior, talvez da Àsia menor.
Os vestigios mais antigos parecem pertencer à religião dos conquistadores indo-europeus e contributos pre-helenicos.
Durante o sec. VIII antes da actual contagem dos seculos, recuso dizer nova era, surgiu atraves de um poeta grego a mais celebre das teogonias com influencia do pensamento oriental em que um poema épico relata a historia da criação e das gerações divinas  em que se misturavam divindades oriundas de todos os horizontes conhecidos do " mundo oriental ", deuses arianos levados pelos invasores arianos.
A principio era o caos, o ser em que não há nada de orgânico e que possa ser descrito.
Do vazio aparece a primeira das realidades que começa a dar-lhe um sentido: a terra e não o " mundo " , que não existe.
Dizer que se criou o " mundo " é dizer que se criou uma inexistencia, que os gregos bem esclarecem.
A terra, planeta, é a base segura de tudo o que existe. Surge a divisão orgânica do universo, tal como os Egiptios consideravam, e tambem tomarão lugar os infernos.
Nas proprias origens desta criação surge o Amor como motor universal, que provoca as uniões monstruosas dos principios cosmicos numa imensa dialectica da criação.
O caos, a terra, o ceu, a noite tiveram filhos, principios vitais que animavam a vida.
A religião ocidental oficial romana não acredita na vida pois que os clerigos não podem constituir familia fonte da vida e da perpetuação das gerações.
A criação estende-se ate à terceira geração divina.
Era necessario estabelecer uma ordem oposta ao caos e  as diferentes divindades reflectem no seu labor principios abstractos, que atestam reflexão sobre as condições essenciais.
Esta descrição da criação esta mais de acordo com a experiência  do Ser Humano incluindo a terra, o sol, o mar, o universo o caos e a ordem e os principios essenciais da vida e para a vida.
O Ser Humano como centro do Universo conseguiu ter a imaginação suficiente para com a sua experiencia e necessidades espirituais inventar a criação de tudo o que o rodeava e que ainda não tinha explicação.
Prefiro esta criação à da criação do " mundo " que não existe.

Publico este pequeno texto para tentar mostrar que o ocidente politico religioso não criou absolutamente nada.
08 Jun 2017
JC







domingo, 1 de janeiro de 2017

DOGMAS E FALÁCIAS 

DOGMATIZAÇÃO DO "TRABALHO "

A economia é um termo recente e sem significado, pois que, economia não existe.
No entanto, embora com a estranha colaboração da " teoria marxista " , erradas certamente, a economia passou a determinar tudo e todos.
A sociedade por um lado e as " classes trabalhadoras" do outro. Se as primeiras ainda conseguem algum escape ao atingir um outro escalão da escala, estratificada da sociedade, o trabalhador não tem por onde escapar  pois que o seu estatuto é o ultimo da escala de valores, em que o trabalhador é forçado a abraçar a produção e sem alternativa, se quer sobreviver e vegetar.
Ambos, sociedade e trabalhador são vitimas do egoismo e das elites, que ancuradas nos designios politico/economicos tudo comandam com mão invisivel, manipulando marionetas  politicas e economicas como se não fosse nada com elas.
Aparentemente inertes, no entanto, não é facil desligar a veia politica de cada um e se tudo parece adormecido , como um vulcão, de repente o sentimento politico e de revolta pelas  injustiças sociais acordam da dormência como um qualquer vulcão adormecido.
A revolução industrial criou a maior arma de dominação e exploração do homem pelo homem, que rapidamente foram apropriadas pelos grupos capitalistas, dominando todas as classes sociais, que necessariamente gravitam na sua orbitra, normalmente, procurando satisfazer as necessidades basicas  e não o conseguindo, pois que a não satisfação dessas necessidades faz parte da dominação.
Paradoxalmente, ou talvez não, foi K. Marx , que proclamou , que a economia domina tudo e o coração da economia, post revolução industrial era e é a fabrica. A politica tambem não quiz ser menos  e tudo passou a ser economico, tudo passou a ser politico, tudo passou a ser mercadoria. Ate o trabalhador.
Existe ou passou a existir ou coexiste um equilibrio entre coacção e consentimento e as convicções politicas, religiosas e economicas.de cada individuo foram o ponto de partida de uma articulação hegemonica especifica, o que explica cada flutuação da politica  e da ideologia como reflexo de mudança na base economica.
Na teoria economica um dos processos de dominação é o entendimento de que há necessidade de criar " novos " métodos de trabalho, de produção e distribuição. Tudo será " novo ", excepto, as condições de trabalho assalariado; ganhas o que ganhas e dá-te por feliz.
A ideia de que a classe trabalhadora tambem de tornaria ( tornará ) uma classe dominante, tambem é uma teoria de dominação, pois as teorias economicas dominantes sabem que isso não vai acontecer.Logo, esta ideia de classe dominante é uma ideia de dominação.
O trabalhador não tem liberadde economica, nem liberdade para pensar  ou para viver. Como pode aspirar a sair dessa classe dominada e encarcelada. Não existem milagres.
Podera ter uma leve esperança, quando atingir uma consciência de classe trabalhadora e quando tiver a coragem de voluntariamente DEIXAR DE TRABALHAR, acabando com a dependencia do trabalho escravo.
Sem conflito, ficar serenamente em casa, em numero suficiente, para que o capitalista ou o capital da fabrica, se decida a ir ao seu encontro, propondo trabalho e o trabalhador aí, individualmente, impunha as suas condições de trabalho com toda a consciência da importância do que faz e da sua imprescindivilidade.
Aí o trabalhador gozaria de alguma liberdade e como nada se faz sem liberdade, teoria algum tempo para viver e sobretudo para pensar e talvez em salão do bairro operário, poderia trocar impressões, quebrando um pouco do gelo do egoismo em que foi criado e amarrado.
Para amenizar um pouco o estado de degradação do trabalho e do trabalhador e suas condições desumanas,  cria-se a ideia de cultura de classe, da classe trabalhadora, dando roda de ignorantes a todos os outros, as massas.
Como se a cultura se podessse dissociar das culturas ou costumes ancestrais .e tradicionais, que acompanharam e acompanham a evolução do Ser Humano. As elites, dentro da sociedade é que desejam criar " modas " e a sua propria e exclusica " cultura " em circuito fechado. Cultura, normalmente, burguesa como as suas proprias instituições, em contacto estrito com os outros centros de poder e todos eles dependendo do poder central, i.é, do capital.
O trabalhador culturalmente marginalizado, com culturas modernas, vive um vacuo isolado de qualquer contacto com a sua originaria cultura. A cultura de classe trabalhadora e a sua força é qualquer coisa de amorfo, uma cultura paraplegica, que existe dentro do gheto do bairro operário.Não existe cultura ou valor cultural facilitado ou inculcado pela classe dirigente burguesa.
O valor da sociedade industrial ou das celulas ( fabricas ) industriais é a exploração ate ao limite. Nada de cultura ou recreio ou diversão.: Porquê só oito horas de trabalho seguido; Porue é mais rentavel.
A cultura popular é criada inicialmente fora das instituições, desde que existe o Ser Humano ou Humanidade.
Cultura ancestral e inalteravel. Uma estrutura de sentimentos natos, que incorpora um complexo de experiências individuais vividas e não sistemas institucionais ditatoriais abstractos.
01Jan de 2017 
JC