sexta-feira, 25 de novembro de 2016

DOGMAS E FALÁCIAS

ESCRAVATURA MODERNA EM LIBERDADE

A idade média foi uma época longa, considerada como economicamente e politicamente importante.Claro que a religião tambem o foi embora sempre a reboque das condições politicas e economicas,  ate ser afastada, em muitos casos.
A idade média, como hoje, tinha a caracteristica social da hierarquia e das classes, normalmente determinadas pelo nascimento : Nobres e Vassalos eram as duas grandes classes classes, que ao caso interessa.
O vassalo era uma das classes, que se caracterizava por o vassalo se reconhecer como Vassalo , sendo o vassalo uma pessoa dependente de um senhor a quem fivaca a dever tributo ou preito.
O vassalo pagava tributo por utilizar e cultivar as terras do senhor. Modernamente o equivalente a pagar uma renda.
E que tambem dá a ideia de um contrato: eu cedo-te as minhas  terras e tu cultivas e dás-me uma parte do que produzes.
O dono das terras era o suserano pertencente à nobreza e o vassalo era o obrigado a pagar o tributo.
No entanto existiam obrigações reciprocas entre o suserano e o vassalo, que as partes respeitavam, pois que, era no interesse de ambos.
Este sistema, que  vigorou durante a idade media foi considerado um sistema politico e economico-social. 
O vassalo ao contrario do escravo não ficava sob a dependência absoluta do senhor, sendo o escravo subjugado e cativo, tendo o senhor todos os direitos, inclusive sobre a vida ou morte do escravo.
Embora muitas vezes haja a tentação de comparações entre vassalo e escravo, a condição de um e outro eram bastante diferentes. 
O vassalo pedia para ser vassalo, tinha algumas regalias, o escravo não tinha qualquer beneficio.
Num filme da roma antiga as escravas, que trabalhavam no palacio do imperador romano não usavam nada por baixo do manto ate aos pés, cortado lateralmente, logo, não usavam cueca. Assim, estavam sempre prontas a ser usadas pelo imperador.
A escravatura e o comercio de escravos foi uma das épocas mais negras nas relações entre os Seres Humanos. Mas pior só o trabalho assalariado. Ao escravo ainda davam de comer.
Após a idade media veio a famosa revolução industrial e os vassalos passaram a ser assalariados com a designação de serviçal, por uma salario miseravel, que normalmente não comtempla um salario suficiente para uma cesta basica de produtos de primeira necessidade para manter o Ser Humano operario e a sua familia.
Salario, que fica sujeito às desvalorizações da moeda e à inflação, que lhe come de um dia para o outro o valor relativo de parte do salario, que ganhou com o suor do seu rosto. Uma pobreza encapotada provocada pelos ditames da altas esferas politico-finanaceiras ou ditadura democratica da nobreza politica.
Não resisto a contar a historia que correu na minha aldeia. Um operario da construção civil, pedreiro, levava todos os dias o seu almoço, que era aquecido no local e era comida em conjunto.
Todos sabiam o que cada um levava de almoço. O nosso infeliz operario levava uma morcela como " conduto ".
Mas a mulher dizia-lhe quando saia de casa : " Não te esqueças de trazer a morcela ". E ele obedecia pois sabia não poder comprar todos os dias " conduto" para a sua refeição.
Os colegas descobriram que a morcela era sempre a mesma e o nosso operario foi alvo de chacota dos colegas.
De tal maneira o afectou, que se suicidou. era um BOM  operario e um melhor SER HUMANO.
Então, o assalariado é um contrato a troco de um misero salario e sem liberdade de escolha, porque o capital politico-financeiro e fascista,  se encarrega de estabelecer um tecto salarial. E ou o trabalhador aceita o que lhe é imposto ou vai pregar para outra freguesia. Tem familia e educação dos filhos. Isso que importa ao capital. Que use preservativo.
Com a Revolução industrial os vassalos passaram para assalariados deixando de trabalhar a liberdade da terra e os seus encantos para passarem a trabalhar na fábrica .
Passaram da liberdade do campo, que bom e belo, para a prisão entre quatro paredes da fabrica.
E quais foram as mudanças relativamente aos dois estatutos do Ser Humano - Vassalo e assalariado.
É que o vassalo conseguia ser autosuficiente com o cultivo da terra do nobre e ainda tinha  protecção militar. Naquela época não existia comercio nem dinheiro. Os produtos excedentarios eram trocados. Que maravilha devia ser. Oh tempo volta para trás.
Curioso notar que nesta sociedade existiam terras comunais, que o vassalo podia usar, assim como o nobre dono das terras. Será que eram Comunas ? 
Tanto assim , que há quem considere o feudalismo como uma forma de manifestação socialista. Como digo os " modernos " não inventaram nada.
O Assalariado ou operário é um escravo moderno com a falacia de estar convencido e o convencerem de que tem mais liberdade.
Escravo do capital  pois tudo o que produz é para o patrão e o misero salario que recebe, chorado pelo capital, não chega para pagar impostos e compor uma cesta basica de necessidades primarias, logo, fundamentais: pão , saude, educação.
O operario é mais escravo do que seu homologo vassalo. Escravo do grande capital, das sociedades anonimas, que apenas lhe deixam uma migalhas.
Antes da Revolução industrial, um retrocesso social, o trabalhador artesão perdeu o controle sobre a materia prima com que trabalhava e produzia, os chamados artesãos.
As teorias economicas tentaram convencer e pregaram a necessidade de os trabalhadores terem o controle sobre os " meios de produção "  para poderem aspirar a uma vida melhor e terem controle sobre a produção.
Estas teorias esqueceram-se de recomendar e doutrinar o trabalhador assalariado, que tomasse consciência da sua mais poderosa arma : " a sua força de trabalho ".
O assalariado devia ter a coragem de ficar em casa e esperar que o patrão o convidasse a trabalhar e nessa altura negociar as condições em que o faria. Será a unica maneira de se libertar dos espartilhos do trabalho assalariado e com condições pre-determinadas e impostas. Sem discussão, seja operario especializado ou não.
Muita mentalização para que isso possa acontecer e muita coragem para em algum momento passar um pouco por ter um quintal e  ser nas horas vagas, um agricultor recolector. O trabalho assalariado e escravo vira por acrescimo e se lhe convier.
E já não aconteceria mais : " NÃO TE ESQUEÇAS DA MORCELA ".
25/11/2016
JC
P.S. : Data em que muitos sonhos da revolução portuguesa, vulgo 25  de Abril, foram atraiçoados.

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

POETA NÃO SOU 100

SONHO E SOLIDÃO

Mais um dia
De tortura,
Todos os dias.
No banho,
Minhas mãos ensaboadas
Percorrem o corpo,
Sonhando.
Não é o meu corpo,
Que vão acariciando.
É um corpo sonhado;
É um corpo desejado.
Passam o cabelo
E os ombros arredondados.
O peito são seios
Com laivos de juventude
E bastante formosura.
Eriçados de candura,
Carentes de ternura.
O ventre elegante
Adelgaçado e cativante.
O monte de Venus
Um amor de perfeição.
Herança fiel de Venus
Onde nasce a paixão.
Faltou a água.
Acordei do sonho.
Voltei à solidão.
JC
24/02/2012
POETA NÃO SOU 99

PIQUENIQUE

Um dia no campo,
Entre rosas silvestres,
Entre elas, tambem, 
A mais bela rosa, 
Que tu oh vida
Me ofereceste.
Rosa mulher perfumada,
Bem cheirosa, encantada,
Brilhante entre as rosas
Com odor cativante.
De tal modo a abelha
Se aproxima saltitante,
Dessa flor bem cheirosa
E ambulante.
O polen não lhe colhe.
De sua beleza, de seu odor
Fica enamorada.
Não volta ao cortiço.
E por aí fica
Feliz e apaixonada.
25/04/2012
JC 


POETA NÃO SOU 98

DESILUSÃO

Um mês de solidão.
Quantos mais virão?
Olho minhas mãos
Vazias e frias.
Tremulas de ausência.
Tudo será em vão?
A esperança renascida,
Alimento d'alma,
Da tua presença vivida.
Momentos fugazes,
Mas belos.
Momentos fugosos
Com teus encantos.
Momentos de desencanto
São a ausência
E a incerteza.
Do desamor, da desilusão.
Do gelo da minha solidão.
29/05/2016
JC
POETA NÃO SOU 97

NADA

Não consigo desligar,
A linha telefónica
Do meu pensamento.
E ele chama, chama,
E não encontra.
Ninguem atende.
Chama, chama
Sem cessar.
Sou navio à deriva,
Em mar calmo, sem corrente.
Meu barco ficou gasto,
De tanto esperar.
A chama do Amor renasceu
E ao nascer, pronto, feneceu.
Não encontro o eco
De quem me quisesse Amar.
Vou delirar.
29/05/2016
JC
POETA NÃO SOU 96

FEITIÇO

Vivia em liberdade, 
Até que,
Uma deusa encantada
E encantadora
Me enfeitiçou.
Feitiço, que me roubou
Toda a liberdade.
Estou dependente
E aprisionado.
Da esperança de um Amor.
Ah feiticeira encantada
Devolve minha liberdade.
Prisioneiro por um Amor,
Nunca encontrado.
Prisão dolorosa,
Doença da minh'alma.
Chora a solidão
E a ausência.
Saboreando tua presença
Assacarei todo o sofrimento
Sem lagrima de lamento.
Prefiro a prisão e a dor
Na esperança de ter o teu Amor.
29/05/2012
JC



POETA NÃO SOU 95

BEM LONGE

Ai Açores,
Terra de fogo,
De vulcões incandescentes
E aguas ferventes.
Que aquecem a alma
E os corações.
Vulcão incandescente,
Que espele
Lavas de Amor.
Ai Açor,
Voa alto,
Alto suficiente.
Aplaca minha dor
E dá-me novas 
Do meu Amor.
02/04/2012
JC