sábado, 16 de setembro de 2017

DOGMAS DE DOMINAÇÃO

A metafisica é um falso problema pois que mada está para lá das coisas fisicas ou do existente ou seja das coisas existentes.
O problema da metafisica sendo o que esta para alem do Ser Humano ( SH ) é não um problema metafisico mas um problema metahumano ou melhor um problema metahumano, quando o SH não consegue uma explicação palpavel bastante para determinada materia ou questão atira para o saco routo da metafisica, tendo muita fé de que um qualquer milagre encontre uma explicação.
São metahumanos alguns aspectos da sua existencia e vivencia para os quais não encontra uma explicação palpavel, então esse problema ainda não resolvido passa a ser um problema metahumano pelo que se pode dizer que a metafisica não existe.
O SH precisa de uma explicação palpavel para tudo o que o rodeia  e se não encontra essa explicação rapidamente procura uma explicação para alem do seu espirito, inventando os mais variados amuletos ou divindades ou deuses onde encontrar uma explicação.
O SH tem muita dificuldade em se autoanalisar e daí o seu temor pelo desconhecido.
O SH é um ser condicionado numa primeira fase da sua vida e ainda na sua vida intra-uterina.
Essa influência fica como uma especie de marca para toda a vida embora possa haver pequenas  correcções de comportamento e ideias , quando atinge autonomia total.
Total nunca se pode dizer que o seja  pois que o SH estara sempre dependente do meio em que se move e se acaba de construir.
Esse meio de influencia abarca sobretudo a sua dependencia economica , que se boa acaba por influenciar positivamente e se má acaba por influenciar negativamente.
Cada SH, embora não o admita fica com um ferrete para o resto da vida dificil de se livrar dele.
A influencia que o SH sofre na primeira fase da sua vida acontece porque sendo autonomo e com total liberdade teorica o SH necessita para o seu total bem estar de justificação e explicação para tudo, inclusive, para a sua propria existencia.
Mas como tem uma imaginação transcendental é facil inventar necessidades espirituais.
Necessidades que criadas pelo seu espirito àvido de justificações acaba por o condicionar e acabando por o amarrar aos " medos " e à tortura psicologica da existencia justificada por um " deus" que nada resolve.
A questão da existencia do SH devia ser uma necessidade primordial de toda a ciência e de todas as especulações filosoficas com a afirmação peremptoria de que o SH É afirmando e não duvidando dessa certeza.
Procurando atraves do seu pensamento livre e autonomo concentrar esforços para se intro inspeccionar e autoanalisar não procurando no seu entorno exterior explicações que nada explicam ou explicam com uma qualquer metafisica ou uma qualquer fé.
E uma das maiores debilidades do SH é na sequencia dos seus medos inculcados e das necessidade de explicações aceitar a liderança de elites oportunistas e parasitas, que se aproveitam dessa debilidade ancestral para que o SH pareça mais tranquilo, pelo menos aparentemente.
A criação de um " deus " unico e a tentativa da sua imposição, mesmo aqueles que já  tinham a sua fé e as suas crenças ancestrais , atraves de um golpe politico religioso condenando-se à morte os que não aceitavam deixar as suas crenças de milhares de anos é a prova provada da dominação dogmatica do SH pelo SH.
Este golpe politico religioso confinado a uma parte infima da europa ocidental foi uma decisão politica das mais obscurantistas, que alguma vez se inventou.
Foram os gregos que elaboraram teorias sistematicas do Universo atraves da filosofia, respeitando no entanto a existencia dos seus " deuses ".
Os gregos pouco disseram ou mesmo nada disseram sobre o monoteismo, mas alguem se aproveitou das suas obras de tendencia religiosa, em que, segundo alguns, atingiram um alto nivel de desenvolvimento.
Não podemos esquecer que um dos arautos da reforma da biblia e criação da nova era judeu, seguindo o judaismo ate à queda de jerusalem  por volta de 340 da era actual, mas era tambem cidadão romano e conhecia muito bem as doutrinas e os ensinamentos gregos.
Apos a aprovação desta nova biblia em evangelhos escolhidos à medida, sempre houve quem não aceitasse esta alteração e estivesse disposto a seguir a nova orientação doutrinal, preferindo continuar a seguir a antiga.
Toda a Idade Media é uma confrontação intelectual entre a antiga e a nova doutrina religiosa  e rapidamente apareceram os teologos seguidores e doutrinadores da nova teologia.
Quase todos os doutrinadores da Idade Media eram homens ligados à igreja , que tinham todo o interesse em que o maior numero de SH fossem arrebanhados para a causa deles e que lhes interessava.
Mas no sec 19 já poucos eram da igreja pelo que a filosofia moderna foi criada por leigos dispostos a dar respostas à cidade natural dos SH e não à cidade sobrenatural de "deus".
A religião, a teologia e a existencia ou não de "deus" eram materias, que não eram adequadas para a especulação filosofica, sendo consideradas questões de fé cujas verdades reveladas só são atingidas para quem possui a tal dita cuja fé, sendo os membros da igreja os destinatarios da doutrina dita sagrada.
Passou a haver uma separação real entre a sabedoria filosofica e a sabedoria teologica.
Alguns filosofos post idade media pregando o seu afastamento da teologia  e da fé no entanto esforçavam-se por ganhar o céu sobrenatural e a salvação com medo da sua finitude, do pecado e do inferno.
Uma boa dialectica, já arrunada no bau das recordações, impunha-se para que explicassem o que entendiam por salvação, de que queriam ser salvos e para onde queriam ser salvos, certamente para a eternidade.
A grande diferença pode estar em que nenhum dos deuses gregos e da sua religião alguma vez reclamara ser o uno, unico e supremo ser, criador do " mundo ", primeiro principio e fim ultimo de todas as coisas.
Esta criação de uma entidade sobrenatural e criadora de todas as coisas é o maior desprimor e despromoção do SH.
Só o SH é a primeira substancia pensante, não criada e independente, que é inata ao SH.
Só o SH possui os atributos de um ser autoexistente infinito, todo poderoso, uno, unico, que apos o sopro da vida explode em toda a sua grandeza e genialidade e tudo o que o rodeia é da sua criação racional.
Tudo depende do ilustre SER HUMANO  e das sua cogitações.
SET 2017
JC









quarta-feira, 6 de setembro de 2017

POETA NÃO SOU 141 

SEM SONO

Deixa-me sonhar,
Sonhar.
Sonhar com o odor
Da tua pele,
Macia, sedosa,
Como petala de flor.
Deixa-me sonhar, 
Sonhar.
Sonhar com o relevo
Da tua pele,
Sonhar com teus montes
Alcantilados, eriçados.
Deixa-me sonhar,
Sonhar.
Sonhar com teus vales,
Verdejantes e humidos,
Semelhantes
Ao jardim do eden.
Deixa-me sonhar 
Acordado.
Deixa-me ser 
Teu amigo.
Dar-te-ei meu coração.
Desfolha-o
E deposita
Suas petalas
Na tua mão
Darte-ão
O aroma da Felicidade.
Nov10
JC


POETA NÃO SOU 140

MAR ENAMORADO

Passeava,
Beleza triste,
Atormentada, 
Pela orla da praia.
O mar
A espreitava
E seguia.
E longas ondas 
Espraiadas,
Mansamente
Os pés banhavam.
Querendo, não podendo,
Lavar sua tormenta.
Tormenta d'alma
Tormenta de mar.
Sentada no areal
Derramava seu mal.
Uma onda delicada
E perfumada de maresia
A banhou,
E o mar lhe chamou
De beleza triste
E exclamou:
Quem não te Amou.
Jan11
JC

POETA NÃO SOU 139

SEDUÇÃO

Estás linda,
Meu amor,
Com os teus cabelos
Dourados,
Em ondas suaves,
Desmaiados.
Com os teus olhos verdes
Lembrando azeitonas,
No teu rosto implantadas.
Com teu vestido,
De tons a condizer,
E que o seu feitio rodado
Te suspende no empedrado.
Com o teu perfume
Corporal
De odor natural, enebriante,
Que me atrai
E me deixa ébrio
De paixão delirante.
Mas, se nos meus olhos, 
Todo o teu encanto
Não passa despercebido,
Porque exterior,
É, no entanto, 
O teu íntimo,
Que mais aprecio,
No teu limpido olhar,
No qual adoro mergulhar.
No teu sorriso,
Espelho d'alma,

Limpida e pura,
Como a neve
Da alta montanha, ao luar.
No teu respirar,
Brisa leve,
Em tarde outonal,
Que me acaricia a face,
Qual beijo carinhoso e facial.
Porque diferente,
Do que outros vêm em ti,
O que eu gosto de ver
É a beleza do teu Ser, 
É o encanto do teu interior,
A tua beleza d'alma.
Não me seduzas Amor,
Que já há muito
Estou seduzido.
Out 98
JC

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

FALACIA DA FÉ BOA E DA FÉ MÁ

O SER HUMANO ( SH ) é bombardeado diariamente com conceptualizações ou conceptismos, que mais o oprimem de que libertam e até o torturam psicologicamente, como é o conceito de céu. Claro que o " céu " não existe e é uma criação espirita para dominação da religião e prolongamento da sua dominação psicologica do SH pelo SH.
Céu e inferno podem arrumar-se na mesma gaveta  pois que nenhum  destes conceitos tem existencia objectiva, sendo apenas uma criação espirita e instrumentos de dominação.
Algumas das reflexões que me inquietam e me espantam ou talvez não, é da maneira como as elites para dominarem, dominando, escavam poços onde arrumam as conceptualizações mais humilhantes para o SH e quando, de tempos a tempos vão ao fundo do poço buscar um velho conceito, caido em desuso, mas que de repente, reaparece, como sendo qualquer coisa de novo: " novo mundo ", nova doutrina, nova politica, etc., que de repente na defesa de uma suposta doutrina superior ( cristianismo ) rapidamente apelidam todos os outros , p.ex., como pagãos.
E pagãos passaram a ser todos os que não eram cristãos em torno do sec 4 , que os cristãos do Imperio Romano, particularmente do ocidente, usaram ou a  apelidaram, quando se referiam a um SH que não era cristão e que ainda acreditava nos antigos deuses romanos e seculares.
Mas o paganismo não era assim tão mau como algumas das suas caracteristicas mostram:
Uma das principais caracteristicas era de que a religiosidade pagã era a imanencia divina. A divindade encontrava-se ou encontra-se na natureza, o que incluia os Seres Humanos, manifestando-se atraves dos seus fenomenos.
Outra das caracteristicas muito importante era, é, a ausencia de noção de pecado, inferno e tambem a noção de santidade  e mal absoluto ou do profano.
As religiões pagãs não precisavam de templos, pelo menos inicialmente, pois que era a terra a sacrilizada, com a existencia de sitios sagrados, alguns que se mantiveram e foram aproveitados pela igreja catolica, para não afastar a clientela.
Eram os ciclos naturais e agricolas, que determinavam  e em que o calendario religioso se confundia  com o calendario sazonal agricola , o que lhe conferia um caracter de fertilidade.
Havia uma relação pessoal SERES HUMANOS/DEUSES , o que não permitia o dogmatismo das estruturas religiosas  e padronizadas havendo uma grande liberdade de culto.
Havia uma religiosidade domestica, por familia ou grupos familiares ou grandes festivais em que os rituais eram comunitarios e todos os membros da comunidade participavam.
Os feitiços traduziam uma religiosidade magica com a natureza. As divindades eram representadas ao nivel terreno o que tornava as religiões pagãs com um menor conflito interior não pregando a necessidade de se dominarem ou conter impulsos ou pulsões naturais deixando-as fluir livremente, sem culpa nem pecado.
Eram religiões intuitivas e corporais pois que os pagãos valorizavam mais a vivencia da religiosidade pelo corpo , sem a noção metafisica platonica/socratica e judaico cristã de corpo versus espirito.
A vida postmortem ou depois do fim da vida, nunca foi um ideal pagão pois consideravam que o encontro com o divino se dava sempre  em comunhão com a natureza. Madre terra dizem alguns povos sul-americanos, que mantêm uma forte ligação à terra tida como sagrada e viva, levando a um fundamental respeito a todas as formas de vida e de existencia.
Daí a cultura pagã ter uma relação magica com a natureza. Com o cristianismo abandonou-se a ligação à terra e aos seus ciclos e a importancia que tem para o SH.
Quebra-se a relação pessoal com os deuses para se criar um " mundo " espirita do pecado, do inferno, do céu, do julgamento final, para criar uma atmosfera espiritual de temor e de tortura psicologica, mesmo alem do fim da vida de cada SH. Uma tortura psicologica durante a vida e para a eternidade.
O paganismo é mais respeitador das necessidades materiais e espirituais do SH e sem medos ou torturas.
Havia que dominar e arrebanhar os antigos pagãos e nada melhor que proibir com uma primeira tentativa no ano de 392 da era deles e com a pena de morte a quem continuasse a fazer rituais pagãos.
Claro que eram mortos com um exacerbado Amor cristão.
A igreja catolica apostolica e romana nunca conseguiu extinguir, de facto, as crenças classificadas de pagãs, havendo durante muito tempo e ainda hoje uma fé dupla, em que a minha é melhor do que a tua.
Nada como perseguir e condenar à morte aqueles que tinham crenças tão ou mais verdadeiras, mais antigas e muitos SH foram condenados à morte, com muito amor cristão, acusados de bruxaria, sobretudo contra curandeiros e bruxos adeptos das medicinas naturais e não das medicinas cientificas. Preferiam um chá a uma aspirina, vá la saber-se porquê.
Depois do saque de Roma imperial em 410 da era deles, pagãos e cristãos estão em conflito aberto pois que os romanos, agora ditos pagãos, responsabilizam os cristãos pelo desastre de Roma ao abandonar o culto dos deuses, que tinham feito a fortuna e a gloria de Roma.
Logo apareceu um solicito teologo, por acaso criado e educado no paganismo, Agotinho, demonstrando ou tentando provar que a Roma não lhe faltaram êxitos com o aparecimento do misticismo e da igreja catolica apostolica e romana, acabando por concluir com algum ineditismo de que as virtudes Humanas, i.é., do SH e dos cidadãos é que explicam a grandeza do Imperio Romano do que a intervenção dos deuses ou do deus.
Pode-se concluir, que é o SH que faz a religião e não  a religião que faz o SH.
Foi uma distinção radical, que entre a cidade dos homens e tambem dos SH com pecado imperial  e a cidade de deus, virtual e sem pecado mas sem o brilhantismo de uma cidade imperial, em que as suas gentes se valiam dos seus deuses numa procura singular ou individual para marcar o seu destino, que será o inexoravel fim da vida de que os deuses ou o deus não nos podem libertar.
O cristianismo ocidental apostolico romano inculcou nos espiritos de cada crente a crença inatingivel na libertação ou salvação eterna.
Uma ficção espirita da cidade virtual de "deus", no céu.
Ago2017
JC




sábado, 26 de agosto de 2017

POETA NÃO SOU 138

DESERTO

Atravesso o deserto
De um tamanho
De desesperar.
Sonhando encontrar
Um oasis
Onde descansar.
Sedento
Parece que vou desfalecer,
Queimado pelo sol
E pela solidão.
Parece, que vou morrer,
Sem saber como se morre.
Mas o desejo
De te ver,
De sentir o teu odor.
A esperança 
De no oasis do teu Amor,
Finalmente, me encontrar,
Faz-me lutar
E tudo tentar vencer,
Para que apartados do mundo,
Refugiados,
Tu no meu
Eu no teu Amor,
Nos deixem,
Não no deserto,
Mas num oasis de felicidade
E encantamento,
De que os nossos corpos
Serão o alimento
E o fogo do nosso Amor.
Out 98 
JC



POETA NÃO SOU 137

MADRUGADA

Espero a madrugada,
Madrugada com aurora,
Que me trará a hora
De encontrar a felicidade,
Que perdi,
E me fez entrar
Numa longa noite
De solidão,
Que me traz negro o coração
De solidão,
Sem amor, sem mão 
Amiga para estender.
Espero essa aurora,
Ansiosamente,
Desesperadamente,
Com receio, que seja,
O meu ultimo anseio
De poder expressar
O meu sentimento
Apelidado de "louco".
E ao ouvido
Te poder sussurrar,
Que és a minha aurora,
Nascente de alegria,
Que das cinzas
Me fez renascer
E me fez acreditar
Que o ser 
Ainda pode renascer.
E dar-te
O que mereces,
O que desejas, 
Do viver.
Out 98
JC