domingo, 12 de novembro de 2017

POETA NÃO SOU 154

ASTROS

Passou
Na minha vida,
Com a influência
de um cometa, 
De um eclipse,
Ou de um vulcão.
E eu,
Que não sou supersticioso,
Acreditei,
Na sua influência,
Conjugada com os astros
E acontecimentos naturais.
Influência
Tal,
Indelével
E impercéptivel
Ao comum dos mortais.
Gravada demais.
Tão natural
Como a sua força,
Que parece,
Poder agarrar
O mundo
Em erupção,
Em convulsão,
E tudo transformar,
E apaziguar.
Para com o seu 
Carinho, amor
E muita ternura,
Às carradas,
Inundar as veredas 
Mais desoladas, 
Os locais mais frios 
E desamparados.
Transformar 
Em oásis 
Muitos oásis.
Todo o mundo
De oásis. 
De paz,
Tranquilidade 
E muito, muito Amor.
Com ou sem superstição,
Com muita, muita realidade.
AGO 99
JC






POETA NÃO SOU 153

NÃO ESTOU

Ouço o som
Da tua voz, 
Mas eu não estou...
Ouço o som 
Da tua voz,
Mas eu não vou...
Ouço o som
Da tua voz, 
Em ondas sonoras
De ultrasom,
Que só um sentimento
Bom 
Pode acolher.
Segredo nosso, 
Que ninguém 
Pode entender.
Lamento.
Não posso responder.
Não estou, não vou.
Resta-me 
A delícia do teu olhar.
A malandrice
E cumplicidade
De nele mergulhar.
Aí vou, aí estou,
Aí gostava de ficar.
JUL 99 
JC

POETA NÃO SOU 152

EXISTÊNCIA

Existência
Sem consistência.
Terra mole,
Lamacenta.
Placenta.
Alimento,
Que me falta.
Embrião,
Que não nasce.
Solidão.
Planeta
Incandescente,
Descendente
De cão.
Ascendente.
A mão 
No teu peito.
Me deleito.
Canibal
Sedento
De morder
Teu coração.
Ou não.
Não aguento.
Sofrimento.
Plasma
Fedurento.
Tal qual.
Sem lamento
Da existência,
Sonolência
Adormecida,
Duma tarde
Esquecida.
Esquecido
Por quem mente.
Sente. 
Leite,
Que não alimenta.
É assim o mundo,
Descendente de cão.
Se eu te tivesse,
Aqui à mão,
Amava-te.
Sem solução.
MAR 99
JC

POETA NÃO SOU 151

TEMPO

Passa lento
O tempo.
E um segundo
É um tempão.
Voa 
O tempo, 
E um segundo
É fugaz momento.
Aparente
Contradição.
Tempo 
De solidão,
Ou de emoção.
De solidão
Por estares longe,
Segundos lentos
de lassidão.
Não queria estar
E viver este tempo
De separação.
De emoção
De contigo estar.
Esse tempo, sem tempo,
Em que sinto 
Um aperto no coração,
Por te ter 
E te viver.
Momentos velozes
E fugazes.
Em que do tempo
Não tenho a noção.
Passa o tempo.

Se não estás
Com solidão,
Se estás
Com emoção.
MAR 99
JC

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A FALACIA DO FIM DA ESCRAVATURA

Vamos ter um apocalipse, não de destruição da terra, mas de transformação e destruição do SER HUMANO ( SH).
A historia, dizem, que se repete e vamos ter mais do mesmo.
Vamos voltar a ter escravatura, mas desta vez uma escravatura mais sofisticada em que o SH já não tem consciencia da sua liberdade e da sua autonomia, mas foi transformado num automato.
Dizem que as maquinas vão dominar a vida. Pois aí têm as maquinas humanas transformadas em robots ou seja, os SH.
Tivemos a escravatura das descobertas imperialistas da europa ocidental; mas aí o escravo continuava a ser senhor da sua autonomia e da sua vontade. E continuava a sonhar com a liberdade e com a sua libertação. Teoricamente acabou por conseguir esse desiderato.
Porque a escravatura continuou de forma talvez mais acentuada com o fim do feudalismo e da sua estrutura economica, para passar a viver do salario de miseria e a trabalhar doze horas por dia e ate mais, sem as condições de salubridade, que lhe forneciam o contacto diario com a madre terra.
Situação que ainda hoje se mantem nos paises ditos industrializados, apenas se tendo alterado as condições de higiene no trabalho e no horario laboral, não pelos lindos olhos do trabalhador escravo, mas porque os empresários capitalistas chegaram à conclusão de que podiam matar o escravo trabalhador se não tivesse um minimo de condições de higiene e saude.
A estes dois exemplos de exploração do SH pelo homem capitalista e da existencia de trabalhadores escravos houve uma situação ou uma tentativa de dominação e selecção do SH, que foi o ideal de pertença a uma raça pura, que o nazismo idealizou e que infelizmente, teve consequencias ainda mais desumanas, que só o heroismo do sacrificado povo russo conseguiu travar.
Estas questões ficaram como que adormecidas pelo imperialismo ocidental, mas que não ficaram esquecidas, e hoje, hoje, sim, digo bem, hoje, a ciencia economica continua afanosamente a trabalhar para alcançar o sonho da dominação de grande parte dos SH.
Não é em vão, que se diz e sonha com que a maquina deixara o SH aliviado da carga de trabalho. Só que não acrescentam, que essa maquina passa a ser o proprio trabalhador escravo e exSH geneticamente modificado.
Apenas e só automatos sem vontade, sem autonomia, sem poder de decisão e de reivindicação.
Apenas sabem trabalhar desalmadamente - trabalhadores e SH geneticamente modificados e completamente dominados e escravizados.
Os excedentes do trabalho-prefiro dizer o lucro do trabalho deixara de ter como objectivo melhorar a vida dos trabalhadores escravos, porque os trabalhadores escravos geneticamente modificados já  não terão vida.
Os trabalhadores automatos já não terão de escolher entre duas modalidades de empobrecimento; salario, protecção social e desemprego ou redução de salarios, emprego precario  e pequenos biscates.
Duas faces da mesma moeda do capitalismo selvagem e de massas escravizadas.
Na gestão do capital e da empresa os recursos humanos deixam de ter lugar com os trabalhadores escravizados e geneticamente modificados.
É claro que, já hoje, a maior parte das ocupações laborais não se podem considerar empregos, porque são trabalhos que não permitem ao SH trabalhador escravo, viver condignamente e garantir uma vida condigna e familiarmente decente.
Claro que os filhos seguem a mesma via e são já a esperança do capitalista de que os filhos ocupem o lugar de escravo dos pais e os filhos serão carne para canhão, na guerra e na fabrica.
Segundo as teorias da economia cientifica, que não descura a sua investigação e assume os resultados, o trabalho é uma forma de empobrecer, que se verifica pelos indicadores de pobreza humana, que a abundancia de bens materiais não exclui o agravamento da miseria.
É flagrante e abissal a desigualdade entre rendimentos do trabalho escravo e rendimentos do patrimonio, mesmo nos paises propulsores do capitalismo selvagem.
É claro que o dinheiro enlouquece e a sede de cada vez mais possuir é uma loucura criando uma sociedade a duas velocidades e com dois universos: a dos accionistas, ociosos, e os outros - os trabalhadores escravos; os especuladores e os assalariados de base e sem poder reivindicativo.
A distância dos ricos ou muito ricos em relação aos mais pobres é cada vez maior, mas a ciencia economica sabe que o bom andamento do capitalismo selvagem assenta na infelicidade do SH  trabalhador escravizado.
E a pior condenação para a maioria dos SH trabalhadores escravos é que a incapacidade de garantir a manutenção de um determinado nivel de vida, gera a transmissão hereditaria das desigualdades com aumento dos suicidios em SH cada vez mais novos e em todas as idades, sendo o suicidio considerado a expressão de um mal estar social , tirando-se a conclusão de que entre prosperidade economica e desenvolvimento do SH não existe nenhuma ligação.
Paralelamente a degradação do planeta prossegue em passo acelerado com esgotamento dos recursos, os residuos toxicos e a poluição geral, em que os lençois freaticos estão contaminados, assim como os solos e a propria atmosfera. Nada que a ciencia economica não saiba.
Caminhamos para uma sub-humanidade em que o valor de um SH trabalhador escravo é sempre sacrificado  no jogo do valor das produções-medindo o valor de um SH pelas suas produções o SH trabalhador escravo é o que vale menos e é sempre o sacrificado e desprezado.
A esfera cientifico/economica manipula tudo e ate o proprio SH, que de semelhante passa a desconhecido e é apenas uma peça mais ou menos necessaria, manipulavel, apenas aceite como peça descartavel do lucro.
Como o SH trabalhador escravo tudo é atingido pelas elites insaciaveis de lucro desregulando o clima e o equilibrio das especies.
Estão-se a investir milhões de quantidades de dinheiro na tentativa de ultrapassar uma ultima barreira de dominação do SH pelo SH ou melhor das elites capitalistas, logo, de uma minoria, pela eventual dominação de grandes massas de SH geneticamente modificados.
E essa barreira ainda intransponivel, qual "muro ", que não admite que se passe uma linha vermelha, como agora se diz, é o conhecimento e a decifração dos codigos geneticos do SH, que o individualizam e o tornam diferente e unico.
A reprodução do leão é sempre igual; a reprodução do SH é sempre diferente. Dizem alguns, que a aproximação homem/mulher antes do acasalamento já resulta dos codigos geneticos de cada um.
Ultrapassada a barreira do codigo genetico as performances fisicas e intelectuais de cada SH e a propria essencia da especie humana entram no campo do manipulavel e sob a lei do lucro maximo, que vai levar à desvalorização dos valores essenciais do SH.
O SH deixara de ter uma vida natural para ter uma vida artificial e robotizada  e passa a constituir mais nitidamente um elemento coisa da propriedade industrial e comerciavel.
Como já dizem alguns antecipando passamos a ter humanoides robotizados.
Toda a forma do SH geneticamente modificado pode ser patenteado e a reprodução natural deixa de existir, como a clonagem genetica de alguns animais de genoma mais simples e já descodificados nos mostrou e as sementes hibridas ou tambem geneticamente modificadas.
O SH trabalhador escravo tambem pode passar a ser um produto transgenico escravizado e dominado. Quantos ?? Depende das necessidades do capitalismo selvagem ou da loucura de uma elite supra e super humana.
Toda a genetica ficava, se já não esta, sujeita ou submetida à lei do capital. 
A capacidade maravilhosa de o SH se poder reproduzir vai pertencer e aparecer no balanço comercial do investidor.
Modificados geneticamente a maioria dos SH passam a escravos assumidos pelo capital, finalmente, sem vontade, sem reivindicar, sem lazer, sem greves, sem doenças, mansos e doceis, o grande sonho das elites, que sonham com um exercito de escravos geneticamente modificados e obedientes para o que faça falta.
Será que os SH poderão ser declarados , ainda, como patrimonio comum da humanidade???!!!
OUT 2017
JC










sexta-feira, 20 de outubro de 2017

POETA NÃO SOU 150

EFEMERAS

São efemeras
As flores.
Mas não deixam 

De ser belas
E de nos encantar
Com o seu colorido.
Com a qualidade 
De todos os anos
Ressurgirem
Em cada primavera.
Tambem a nossa vida
Nos parece
Muitas vezes
Efemera
E sem sentido.
Mas de repente
Surgem momentos,
Que nos fazem
Acreditar,
Num rejuvenescimento.
Como que uma nova 
Primavera,
Que tudo renova
Tudo relança,
E nos faz acreditar
Que vale a pena viver
Em cada amanhecer.
MAR 99
JC


POETA NÃO SOU 149

JARDIM DA MANGA

Borbulha a água
No repucho,
Ao ritmo 
Do meu coração.
Triste e silencioso,
Pesaroso da distância.
Esvoaça 
O pombo
Perseguindo a pomba,
Que arrulhando,
Com vénia,
Manifestando
Mostra, cortejando
Seu sentimento.
De amor profundo,
Mas ela 
Não ligando.
Passa o par 
De namorados
Namorando .
Passo lento
Deleitoso,
Empurrado pelo vento.
Beijo trocam
Discretamente.
Mão dadas ternamente.
Ele vaidoso,
Ela, cabelos 
Soltos, loiros, 
Ao vento.
Mostra o seu 
Encantamento.
Do encanto
Da paisagem 
Resta-me
O ritmo pobre 
Do meu coração.
Triste e silencioso
Por longe estar 
O seu Amor.
E do seu silêncio
Mui pesaroro
Andar.
FEV 99 
JC