sábado, 5 de janeiro de 2019

POETA NÃO SOU 173

PRECE

Senhor político,
Porque não acaba 
Com a pobreza?!
Senhor político,
Porque não acaba
Com a riqueza
Exagerada?!
Senhor político,
Porque não acaba
Com as forças armadas?!
Senhor político,
Porque não acaba 
Com os baixos ordenados,
Tão divulgados?!
Ah,Ah, não posso.
Nada posso fazer.
Sou apenas 
Um verbo de encher.
Nada posso fazer 
Até enriquecer.
Assim seja.
Desculpe iminência, 
Esta humilde prece.
Jan 2019
JC

POETA NÃO SOU 172

DUVIDAS

Pica-me, 
Esventra-me,
Desentranha-me,
Para espreitar 
Se estou morto.
É que me sinto 
Mais morto,
Que vivo.
Fugiu-me a vida
E o seu melhor.
Trago no bolso
Um montão
De insatisfação
E solidão.
Vida vivida 
Com muito vinagre
E algum fel.
Não quero desistir,
Vou resistir,
Mas sinto, 
Que não sou fiel 
A vida.
Tou mais tranquilo:
Meu corpo
Se espiritualizou,
E nem a mirra
O embalsamou.
Tou mais tranquilo
Espiritualizado:
Se morto
No inferno derretido;
Se vivo
No paraíso 
Prometido.
Jan 2019
JC

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

POETA NÃO SOU 171

LEITURAS

Vou para a fogueira, 
Condenado 
Pelos Iluminados,
Possuidores 
E detentores,
Da verdade
E da verdadeira Fé.
Herege, Pagão,
Bailando na balança 
Dos contrários,
Umas vezes sim, 
Umas vezes não, 
Poucas vezes talvez.
Que enterrastes 
A dialéctica
Das dúvidas 
Em local desconhecido.
Pagão
Também o Ser Humano,
Meu irmão,
A quem poucos,
Muito poucos, 
Estendem a mão.
Já subido
Ao cadafalso,
Olho em redor 
E quase tudo é falso.
Carrasco,
Não deixes apagar a fogueira
Até que tudo seja cinzas
E se cumpra 
A maldição ou a bênção
Das cinzas.
Sempre os contrários.
Nada sei.
Jan 2019
JC 


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

POETA NÃO SOU 170

REFLEXÃO

Se eu for bom 
Todos me querem.
Se eu for medíocre
Alguns me querem.
Se eu for mal
Ninguém me quer.
Sou mesmo mau.
Melhor
Sou péssimo.
Podia ser bom.
Mas,
Lastimo, 
Não ter sabido
Apanhar o foguete
Das sete.
Dez 2018
JC

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

POETA NÃO SOU 169

REVISÃO

Já sou cadáver                              
Uma vida desgraçada                 
Para quem me pariu,                  
Que a vida                                  
Me deixou marcada.
Vidas 
Sem programação,
Ao sabor 
Da ilusão,
Às vezes, da paixão.
Do que dizem
Felicidade,
Nunca soube 
Onde estava.
Vidas afogueadas,
Sem respiro.
já sou cadáver
Antes do ultimo suspiro
Dez 2018
JC

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

POETA NÃO SOU 168

DESPEDIDA

Quando sentires,
Que me finei, 
Não gemas:
Nem um gemido,
Nem um lamento.
Não maltrates 
Nenhuma flor.
Mas canta-me ,
Canta-me em surdina,
Suave, mansinha.
Ainda te ouvirei,
Ainda recordarei:
" Quando eu morrer rosas brancas,
Para mim ninguém as corte,
Quem as não teve na vida
Também as não quer na morte " ( fado Coimbra )
Deixa as flores
E a mim 
Em paz.
Na ultima morada
Com a saudade 
Da vida vivida.
Eternamente.
Dez2018
JC

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

INVOLUÇÃO DOGMÁTICA

Vidas de sofrimento e terror psicológico com a promessa de atingir a eternidade e o céu, nunca recusando o castigo do deus todo poderoso, que se manifesta através do sofrimento e das promessas não cumpridas.
Crede Seres Humanos estareis ressuscitados, porque com crença ou sem crença, nada é dado ao Ser Humano ( SH ) para aliviar as suas angústias  e as suas fraquezas.
Crê povo de deus, povo do infortúnio e crê porque o sofrimento é a tua herança sagrada e tu és eleito entre todos para a eternidade.
A nossa herança é a dor. Feliz o duro destino, o tormento e a provação.
Recordai-vos dos dias trazidos do deserto e dos quarenta  anos de castigo antes da terra prometida, que ninguém encontrou.
Será apenas uma ficção mais.
Nunca a segurança foi concedida ao povo de deus ou pelo menos relatada pelos seus profetas.
Sempre a mão sagrada rejeitou o povo, quando se revoltaram e não entendiam tanta desgraça , tanto desamor.
Lembrai-vos, que quando ele nos acabrunha e nos enfraquece  nossa pena é forjada no fogo do seu amor.
Curva-te docilmente ao jugo da fé. Deus só pertence aos vencidos.
Conduz-nos profeta da desgraça e a colera do deus abatem-lhe o orgulho.
O óleo da unção mudou-se em sangue. Tu tornaste-te rei do sofrimento, rei dos vencidos felizes.
deus fechou seu olhar terrestre, ficando cego, para que contemplasse melhor o reino eterno, rei dos martires.
Terra sagrada prometida, a pátria perdida  e abandonada. Vai povo errante de deus, os que ficam têm a pátria, mas os que partem têm o  "mundo".
Bem aventurada servidão de deus arrasou a cidade para que ela ressuscitasse e será construída em nossos corações, povo errante e sofredor avia-te para o teu peregrinar eterno, caminha o teu caminho e sofre o teu sofrer.
Rasga e come o pão que as lágrimas salgaram e a pátria em sonho emergirá das noites, universais vencidos em parte alguma bem vindos atravessemos as idades para a cidade das almas.
Vamos através dos povos e dos tempos ao longo infinito dos caminhos do sofrer. Somos eternamente os eternos vencidos.
Eles acreditam no invisível , que os arrebata. Deve haver um mistério como nos interpretes das estrelas.
Seguimos o caminho sagrado do nosso sofrimento, os únicos sem pátria, nos marchamos para a eternidade.
Nós nada temos de comum com os povos da terra. A nossa força é a de sermos nós. 
Vós tendes toda a paz mas nós queremos a guerra, que degola e profana a vida.
Malditos sejam os que vendem pelo interesse a sua coragem criticando o camponês por não querer a guerra pois que os campos só prosperam na paz.
Nós adubaremos com o nosso sangue o campo porque é uma felicidade morrer pelo unico deus verdadeiro.
Onde estão os sacerdotes ? Acordai-os.
É um cobarde que se salva apelando aos seus pavores.
Porque atira deus os  povos contra os outros. Há tanto lugar debaixo do céu, que nenhum tem necessidade de incomodar o outro.
Mais de uma terra espera a charrua, mais de uma floresta o machado e entretanto aguçam-se relhas feitas espadas.
Não compreendo?
E porque quer deus a guerra entre os povos ? 
Os povos cobiçam-se uns aos outros por causa dele.
Empunho uma lança e não sei contra quem vou voltá-la. Espera-a aquele para quem ela foi afiada: Não o conheço, nunca lhe vi a face, o peito onde cravarei a morte.
Um outro virá ferir o pai dos meus filhos e ele nunca me viu, nem padeceu jamais ofensa minha.
As árvores nascem em paz e mudam a sua seiva em flor enquanto que nós, em fúria uns contra os outros, brandimos a acha e a lança até que a resina do nosso sangue jorre para fora de nós.
Quem é que lança a morte entre os homens, que semeia o ódio entre eles, quando há tanto lugar para a vida e tanto vagar para o Amor?
Isso deve vir de deus, porque foi sempre assim.
Não matarás mas olho por olho e dente por dente. Há muitas coisas na escritura, quem é que pode compreendê-las?
Cumpre-nos combater não questionar. Como não devo enquanto vivo interrogar sobre a minha vida?
Como não há-de a vida sobressaltar-se em indagações antes de extinguir-se na morte? Talvez que já seja a morte que se interroga em mim e não a vida.
Maldito seja o óleo que te ungiu a fronte. Mas o deus queria esmagá-lo com sofrimentos.
Abaixo os padres , abaixo os profetas ; todos nos enganaram.
Foi mais uma derrota, mais espiritual, que material.
Já não havia lei para eles, o povo escolhido e a escritura sagrada tinha sido queimada.
Também já não havia padres e talvez sejam os primeiros a abandonar as almas, que deviam apascentar.
O povo estava derrotado e sentia-se sem guias. A necessidade de guias ou lideres religiosos ou políticos é uma das fraquezas do SH.
É a maldição de deus, enviada contra nós para a nossa ardente tortura ; é o chicote e o fel de deus.
Quem se recusou ao êxodo será morto à espada. Antes morto entre meus pais do que escravo entre estrangeiros.
deus não está em parte alguma, nem no céu nem na terra, nem na alma das criaturas.
Ele partiu a aliança, renegou as suas promessas. A tua dureza é muito dura para mim e a tua mão muito pesada. Não sirvo mais a tua vingança furiosa , não te sirvo mais.
Eu fui tudo quanto fez de mim teu capricho, não quero mais atuar conforme os teus caprichos. Um deus que nos oferece o sarcasmo e não o auxílio, esse deus não é digno que se anuncie e se ame.
Chama-me a cidade, que a tua cólera queimou; o povo que o teu ódio exilou; as mulheres que fizestes viúvas; as mães a quem curvas-te a fronte e o altar tu mesmo cobriste de vergonha.
Deus duro e cheio de ódio, retesado e petrificado em teu orgulho de ídolo. Diante do vosso sofrimento, irmãos, eu caio de joelhos, porque odeio o teu deus e só a vós é que amo.
Deixai-me amigos só falar-vos de Amor. Divido convosco o pão das vossas torturas.
Estamos de volta, nós ressuscitamos. Estamos todos escravos. Temos necessidade de um salvador. Se Moisés ressuscitasse por  nós. É necessário um consolador. Somos os banidos e partimos para o exílio.
No princípio era o paraíso e o reino na terra sem localização concreta. Cedo se conclui-o que nem o paraíso nem o reino terrestre tinham possibilidade física e terrestre.
No entanto a ordem foi dada: sai da tua terra, do meio dos teus parentes e da casa do teu pai e vai para a terra que te mostrarei.
Tal terra nunca apareceu. No entanto aconteceu mais esta tortura psicológica.
Durante quarenta anos ou mais erraram pelo deserto à espera, que se cumprisse a promessa.
Mas em vão: a promessa nunca foi cumprida e as terra prometida assim como o paraíso foi mais uma grande ilusão religiosa.
Sem terra prometida e sem povo passou a ser muito difícil aos defensores e seguidores religiosos e com muita  " fé " dar uma explicação aceitável para o fracasso de tal promessa badalada pelos profetas ou melhor, criadores de sonhos.
Misteriosamente ou talvez não aconteceu um milagre, mais um , com a obra " a cidade de deus" , um senhor criado no paganismo e mais tarde convertido, que coloca no céu toda a corte e séquito do deus omnipotente e omnipresente, onde se encontra à espera dos crentes humanos e não crentes, que terminada a sua vida na terra sobem ao céu à espera de serem julgados pelos seus pecados.
Sim, porque todos somos pecadores.
Finalmente entendo a obra do grande Miguel Ângelo em que representa na capela cistina o SH e o suposto deus e em que os dedos indicadores de cada um quase se tocam.
E porque não se tocam? Porque o SH vive na terra, com todas as atrocidades consentidas pelo deus, abandonado por deus e na ilusão de alcançar o descanso eterno no céu, os que conseguem ter alguma fé e o deus, vivendo como um rei, na sua corte celestial, no céu, à espera dos acontecimentos.
Nada do que se passa na terra, já não prometida e as atrocidades de que é sofredor o SH, crente e não crente, tem a ver com deus ou lhe importa e a vida celestial, lugar paradisiaco criado no céu para a vida eterna, em mais uma ilusão, que o SH com alguma fé espera alcançar, uma espécie de banha da cobra celestial.
Voltando à capela cistina o SH, homem crente ou não, habitante da terra e o deus , que habita a sua cidade celestial, não se podem tocar, porque deus criou dois " mundos " de ilusão e que nunca se irão encontrar: a terra prometida e o céu.
O SER HUMANO  para um lado e o deus celestial para o outro.
FELIZES  os que não precisam de nenhuma fé. 
OUT2018
JC
P.S.: O texto, a maior parte, foi extraído de um livro de um profeta.