domingo, 12 de novembro de 2017

POETA NÃO SOU 154

ASTROS

Passou
Na minha vida,
Com a influência
de um cometa, 
De um eclipse,
Ou de um vulcão.
E eu,
Que não sou supersticioso,
Acreditei,
Na sua influência,
Conjugada com os astros
E acontecimentos naturais.
Influência
Tal,
Indelével
E impercéptivel
Ao comum dos mortais.
Gravada demais.
Tão natural
Como a sua força,
Que parece,
Poder agarrar
O mundo
Em erupção,
Em convulsão,
E tudo transformar,
E apaziguar.
Para com o seu 
Carinho, amor
E muita ternura,
Às carradas,
Inundar as veredas 
Mais desoladas, 
Os locais mais frios 
E desamparados.
Transformar 
Em oásis 
Muitos oásis.
Todo o mundo
De oásis. 
De paz,
Tranquilidade 
E muito, muito Amor.
Com ou sem superstição,
Com muita, muita realidade.
AGO 99
JC






POETA NÃO SOU 153

NÃO ESTOU

Ouço o som
Da tua voz, 
Mas eu não estou...
Ouço o som 
Da tua voz,
Mas eu não vou...
Ouço o som
Da tua voz, 
Em ondas sonoras
De ultrasom,
Que só um sentimento
Bom 
Pode acolher.
Segredo nosso, 
Que ninguém 
Pode entender.
Lamento.
Não posso responder.
Não estou, não vou.
Resta-me 
A delícia do teu olhar.
A malandrice
E cumplicidade
De nele mergulhar.
Aí vou, aí estou,
Aí gostava de ficar.
JUL 99 
JC

POETA NÃO SOU 152

EXISTÊNCIA

Existência
Sem consistência.
Terra mole,
Lamacenta.
Placenta.
Alimento,
Que me falta.
Embrião,
Que não nasce.
Solidão.
Planeta
Incandescente,
Descendente
De cão.
Ascendente.
A mão 
No teu peito.
Me deleito.
Canibal
Sedento
De morder
Teu coração.
Ou não.
Não aguento.
Sofrimento.
Plasma
Fedurento.
Tal qual.
Sem lamento
Da existência,
Sonolência
Adormecida,
Duma tarde
Esquecida.
Esquecido
Por quem mente.
Sente. 
Leite,
Que não alimenta.
É assim o mundo,
Descendente de cão.
Se eu te tivesse,
Aqui à mão,
Amava-te.
Sem solução.
MAR 99
JC

POETA NÃO SOU 151

TEMPO

Passa lento
O tempo.
E um segundo
É um tempão.
Voa 
O tempo, 
E um segundo
É fugaz momento.
Aparente
Contradição.
Tempo 
De solidão,
Ou de emoção.
De solidão
Por estares longe,
Segundos lentos
de lassidão.
Não queria estar
E viver este tempo
De separação.
De emoção
De contigo estar.
Esse tempo, sem tempo,
Em que sinto 
Um aperto no coração,
Por te ter 
E te viver.
Momentos velozes
E fugazes.
Em que do tempo
Não tenho a noção.
Passa o tempo.

Se não estás
Com solidão,
Se estás
Com emoção.
MAR 99
JC

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A FALACIA DO FIM DA ESCRAVATURA

Vamos ter um apocalipse, não de destruição da terra, mas de transformação e destruição do SER HUMANO ( SH).
A historia, dizem, que se repete e vamos ter mais do mesmo.
Vamos voltar a ter escravatura, mas desta vez uma escravatura mais sofisticada em que o SH já não tem consciencia da sua liberdade e da sua autonomia, mas foi transformado num automato.
Dizem que as maquinas vão dominar a vida. Pois aí têm as maquinas humanas transformadas em robots ou seja, os SH.
Tivemos a escravatura das descobertas imperialistas da europa ocidental; mas aí o escravo continuava a ser senhor da sua autonomia e da sua vontade. E continuava a sonhar com a liberdade e com a sua libertação. Teoricamente acabou por conseguir esse desiderato.
Porque a escravatura continuou de forma talvez mais acentuada com o fim do feudalismo e da sua estrutura economica, para passar a viver do salario de miseria e a trabalhar doze horas por dia e ate mais, sem as condições de salubridade, que lhe forneciam o contacto diario com a madre terra.
Situação que ainda hoje se mantem nos paises ditos industrializados, apenas se tendo alterado as condições de higiene no trabalho e no horario laboral, não pelos lindos olhos do trabalhador escravo, mas porque os empresários capitalistas chegaram à conclusão de que podiam matar o escravo trabalhador se não tivesse um minimo de condições de higiene e saude.
A estes dois exemplos de exploração do SH pelo homem capitalista e da existencia de trabalhadores escravos houve uma situação ou uma tentativa de dominação e selecção do SH, que foi o ideal de pertença a uma raça pura, que o nazismo idealizou e que infelizmente, teve consequencias ainda mais desumanas, que só o heroismo do sacrificado povo russo conseguiu travar.
Estas questões ficaram como que adormecidas pelo imperialismo ocidental, mas que não ficaram esquecidas, e hoje, hoje, sim, digo bem, hoje, a ciencia economica continua afanosamente a trabalhar para alcançar o sonho da dominação de grande parte dos SH.
Não é em vão, que se diz e sonha com que a maquina deixara o SH aliviado da carga de trabalho. Só que não acrescentam, que essa maquina passa a ser o proprio trabalhador escravo e exSH geneticamente modificado.
Apenas e só automatos sem vontade, sem autonomia, sem poder de decisão e de reivindicação.
Apenas sabem trabalhar desalmadamente - trabalhadores e SH geneticamente modificados e completamente dominados e escravizados.
Os excedentes do trabalho-prefiro dizer o lucro do trabalho deixara de ter como objectivo melhorar a vida dos trabalhadores escravos, porque os trabalhadores escravos geneticamente modificados já  não terão vida.
Os trabalhadores automatos já não terão de escolher entre duas modalidades de empobrecimento; salario, protecção social e desemprego ou redução de salarios, emprego precario  e pequenos biscates.
Duas faces da mesma moeda do capitalismo selvagem e de massas escravizadas.
Na gestão do capital e da empresa os recursos humanos deixam de ter lugar com os trabalhadores escravizados e geneticamente modificados.
É claro que, já hoje, a maior parte das ocupações laborais não se podem considerar empregos, porque são trabalhos que não permitem ao SH trabalhador escravo, viver condignamente e garantir uma vida condigna e familiarmente decente.
Claro que os filhos seguem a mesma via e são já a esperança do capitalista de que os filhos ocupem o lugar de escravo dos pais e os filhos serão carne para canhão, na guerra e na fabrica.
Segundo as teorias da economia cientifica, que não descura a sua investigação e assume os resultados, o trabalho é uma forma de empobrecer, que se verifica pelos indicadores de pobreza humana, que a abundancia de bens materiais não exclui o agravamento da miseria.
É flagrante e abissal a desigualdade entre rendimentos do trabalho escravo e rendimentos do patrimonio, mesmo nos paises propulsores do capitalismo selvagem.
É claro que o dinheiro enlouquece e a sede de cada vez mais possuir é uma loucura criando uma sociedade a duas velocidades e com dois universos: a dos accionistas, ociosos, e os outros - os trabalhadores escravos; os especuladores e os assalariados de base e sem poder reivindicativo.
A distância dos ricos ou muito ricos em relação aos mais pobres é cada vez maior, mas a ciencia economica sabe que o bom andamento do capitalismo selvagem assenta na infelicidade do SH  trabalhador escravizado.
E a pior condenação para a maioria dos SH trabalhadores escravos é que a incapacidade de garantir a manutenção de um determinado nivel de vida, gera a transmissão hereditaria das desigualdades com aumento dos suicidios em SH cada vez mais novos e em todas as idades, sendo o suicidio considerado a expressão de um mal estar social , tirando-se a conclusão de que entre prosperidade economica e desenvolvimento do SH não existe nenhuma ligação.
Paralelamente a degradação do planeta prossegue em passo acelerado com esgotamento dos recursos, os residuos toxicos e a poluição geral, em que os lençois freaticos estão contaminados, assim como os solos e a propria atmosfera. Nada que a ciencia economica não saiba.
Caminhamos para uma sub-humanidade em que o valor de um SH trabalhador escravo é sempre sacrificado  no jogo do valor das produções-medindo o valor de um SH pelas suas produções o SH trabalhador escravo é o que vale menos e é sempre o sacrificado e desprezado.
A esfera cientifico/economica manipula tudo e ate o proprio SH, que de semelhante passa a desconhecido e é apenas uma peça mais ou menos necessaria, manipulavel, apenas aceite como peça descartavel do lucro.
Como o SH trabalhador escravo tudo é atingido pelas elites insaciaveis de lucro desregulando o clima e o equilibrio das especies.
Estão-se a investir milhões de quantidades de dinheiro na tentativa de ultrapassar uma ultima barreira de dominação do SH pelo SH ou melhor das elites capitalistas, logo, de uma minoria, pela eventual dominação de grandes massas de SH geneticamente modificados.
E essa barreira ainda intransponivel, qual "muro ", que não admite que se passe uma linha vermelha, como agora se diz, é o conhecimento e a decifração dos codigos geneticos do SH, que o individualizam e o tornam diferente e unico.
A reprodução do leão é sempre igual; a reprodução do SH é sempre diferente. Dizem alguns, que a aproximação homem/mulher antes do acasalamento já resulta dos codigos geneticos de cada um.
Ultrapassada a barreira do codigo genetico as performances fisicas e intelectuais de cada SH e a propria essencia da especie humana entram no campo do manipulavel e sob a lei do lucro maximo, que vai levar à desvalorização dos valores essenciais do SH.
O SH deixara de ter uma vida natural para ter uma vida artificial e robotizada  e passa a constituir mais nitidamente um elemento coisa da propriedade industrial e comerciavel.
Como já dizem alguns antecipando passamos a ter humanoides robotizados.
Toda a forma do SH geneticamente modificado pode ser patenteado e a reprodução natural deixa de existir, como a clonagem genetica de alguns animais de genoma mais simples e já descodificados nos mostrou e as sementes hibridas ou tambem geneticamente modificadas.
O SH trabalhador escravo tambem pode passar a ser um produto transgenico escravizado e dominado. Quantos ?? Depende das necessidades do capitalismo selvagem ou da loucura de uma elite supra e super humana.
Toda a genetica ficava, se já não esta, sujeita ou submetida à lei do capital. 
A capacidade maravilhosa de o SH se poder reproduzir vai pertencer e aparecer no balanço comercial do investidor.
Modificados geneticamente a maioria dos SH passam a escravos assumidos pelo capital, finalmente, sem vontade, sem reivindicar, sem lazer, sem greves, sem doenças, mansos e doceis, o grande sonho das elites, que sonham com um exercito de escravos geneticamente modificados e obedientes para o que faça falta.
Será que os SH poderão ser declarados , ainda, como patrimonio comum da humanidade???!!!
OUT 2017
JC










sexta-feira, 20 de outubro de 2017

POETA NÃO SOU 150

EFEMERAS

São efemeras
As flores.
Mas não deixam 

De ser belas
E de nos encantar
Com o seu colorido.
Com a qualidade 
De todos os anos
Ressurgirem
Em cada primavera.
Tambem a nossa vida
Nos parece
Muitas vezes
Efemera
E sem sentido.
Mas de repente
Surgem momentos,
Que nos fazem
Acreditar,
Num rejuvenescimento.
Como que uma nova 
Primavera,
Que tudo renova
Tudo relança,
E nos faz acreditar
Que vale a pena viver
Em cada amanhecer.
MAR 99
JC


POETA NÃO SOU 149

JARDIM DA MANGA

Borbulha a água
No repucho,
Ao ritmo 
Do meu coração.
Triste e silencioso,
Pesaroso da distância.
Esvoaça 
O pombo
Perseguindo a pomba,
Que arrulhando,
Com vénia,
Manifestando
Mostra, cortejando
Seu sentimento.
De amor profundo,
Mas ela 
Não ligando.
Passa o par 
De namorados
Namorando .
Passo lento
Deleitoso,
Empurrado pelo vento.
Beijo trocam
Discretamente.
Mão dadas ternamente.
Ele vaidoso,
Ela, cabelos 
Soltos, loiros, 
Ao vento.
Mostra o seu 
Encantamento.
Do encanto
Da paisagem 
Resta-me
O ritmo pobre 
Do meu coração.
Triste e silencioso
Por longe estar 
O seu Amor.
E do seu silêncio
Mui pesaroro
Andar.
FEV 99 
JC



POETA NÃO SOU 148

TERNURA

Olhar terno, 
Olhar meigo;
São eternos 
Os momentos
Em que  os recordo
E revejo.
E neles repouso, 
Cansado
Da sua ausência.
Torturado
Pela saudade,
Fecho os olhos
E num lamento,
Alimento
A esperança ,
De mais cedo, 
Que tarde,
Me poder deleitar
Com a sua ternura,
De me poder encantar
Com a sua meiguice.
Tão longe os recordo,
Mas, 
Tão perto os sinto.
MAR 99
JC


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O DOGMA DA ECONOMIA CIENTIFICA

Economia é uma ciência. Só agora soube que a minha avó  era uma grande economista, pois era ela que geria toda a economia domestica, em que o maior lema era de que nada se podia desperdiçar, sobretudo o que sobrava das refeições.
Se não era ou já não era aproveitado para mais uma refeição , era aproveitado para os animais domesticos produtivos, que faziam parte da economia domestica.
Então posso concluir como as modernas designações mais pomposas, que a minha avó era uma grande cientista licenciada em ciencia economica domestica ou administração domestica.
Com o sucesso de alguns economistas domesticos, a politica tambem quiz beneficiar dessa vantagem e ao meter-se na economia desgraçou a economia, pelo menos no brilhantismo que alcançou a gestão domestica.
Não se gastava porque não havia dinheiro suficiente e o endividamento estava fora de questão. Não se comprava pela mesma razão.
A " ciencia economica ", que devia levar o país à riqueza e ao engrandecimento acabou por minar as decisões politicas de tal modo se deixou levar pela facilidade do capital, que levou as entidades publicas a endividarem-se com juros altissimos e cuja divida mais capital são impagaveis.
Quando da crise da Grecia um ministro europeu confessou-se arrependido de ter emprestado uma quantia que dava para aumentar o salario minimo para o dobro. Pobre coitado e fraco economista.
Quem acaba por pagar tudo com lingua de palmo, é o pobre do cidadão atraves de cada vez mais impostos, porque os politicos não são atingidos, pois que recebem cada vez mais.É fartar.
O nexo entre gasto individual e equilibrio foi perdido e a politica daquilo que deveria ser foi completamente abandonada.
A sociedade e consequentemente os SERES HUMANOS  ( SH) tornaram-se egoistas com uma cada vez mais acentuada redução do interesse colectivo.
Os que não conseguem ser egoistas pelo individualismo aparecem como parasitas de um sistema que os protege.
A economia cientifica busca explicações, que não soluções, para manter um sistema, que favorece as desigualdades e que ate as considera imanentes e necessarias e em que o SH trabalhador escravo é o que menos conta ou conta apenas como peça absolutamente necessária e ainda não completamente descartavel.
Os autores são coniventes com um estado e um sistema em que nada pode ser alterado para melhor, não procurando soluções diferentes, nem argumentos novos, sobrevalorizando a escola pacificamente aceite do pensamento unico e sem derivações. Isto é, sem possibilidade de dialectica.
Mecanismos do mercado e poder politico andam de mãos dadas, caminhando de mãos dadas, na certeza da exploração do homem pelo homem e do trabalhador escravo, sabendo-se à partida, que o poder politico inteiramente fundado nos mecanismos do mercado, não resolve as desigualdades e pelo contrario as pode aprofundar, sendo o resultado universal das assimetrias do poder, que se geram com base no mercado.
Tudo porque não há democracia mundial mas apenas e só, cada vez mais, mercado mundial.
E se o mercado cria desequilibrios e desigualdades o maior sacrificado é o trabalhador escravo e logo o SH.
Foi feita uma proposta de reformulação dos organismos internacionais ( OMC, FMI, BM, OIT ), numa nova organização mundial de desenvolvimento social, que não obteve acolhimento. 
O social é o que menos conta nas relações de mercado.
Essa reformulação visava colmatar a ausencia de mecanismos de base democratica, legitimos democraticamente e aceites pelas opiniões publicas e respeitadas pelos movimentos sociais.
Mas no fundo e com poder de decisão alguem espreita o passo negativo da dialectica e as teorias de quanto pior melhor ou amantes das sociedades perfeitas.
As propostas alternativas são normalmente utopias a discutir e dos passos a dar para uma realização progressiva.
Existe uma ideologia politicamente correcta fazendo as vezes de pensamento, que a ortodoxia do sistema impõe atraves do pensamento unico, um moderno dogmatismo com pretensões universais dos interesses de um conjunto de forças ditas economicas, que são as do capital internacional apresentadas por alguns lacaios, cuja importância lhes advem das forças diante das quais se agacham.
O dogma paira no ar sob a forma de afirmações constantemente repetidas e marteladas, sem discussão, sem dialectica.
Donde resulta um determinado numero de teses, que exprimem a ideologia das forças dominantes e elitistas em que o economico se sobrepõe ao politico, economia que é liberta do obstaculo social.
O mercado é um idolo de barro, que qualquer Dª Branca, banqueira do povo, derrumba e cuja mão invisivel corrige as disfunções do capitalismo, sobretudo os mercados financeiros e sem rosto.
Pretende-se  menos estado nas actividades lucrativas e cujos investimentos estão concluidos, como foi o caso da E.D.P., com uma arbitragem constante a favor das receitas do capital em detrimento das do trabalho ou seja, do escravo trabalhador.
É constante e assumido o esmagamento do fraco pelo forte e nada se pode contra isso, meu irmão, e teras de te sujeitar, ou melhor, deixar escravizar.
A miseria dos humildes e dos trabalhadores assalariados é o preço da prosperidade geral e a economia cientifica e dogmatica sabe-o perfeitamente.
A logica financeira dita a sua lei ditatorial e tudo corrompe não se admitindo, que outro "modus vivendi" seja possivel.
Esta morta a dialectica. Pode ser que ressuscite milagrosamente e racionalmente.
OUT 2017
JC







quarta-feira, 4 de outubro de 2017

POETA NÃO SOU 147

CORO

Vozes.
Desalinhadas,
Desafinadas,
Cruas
E selvagens.
Vozes
Desligadas,
Desabridas,
Desencantadas.
De gente
Triste
Mal-amada,
Desiludida,
Desencantada, 
Que o maestro 
Firme e delicado, 
Molda 
Em vaso afinado.
É assim 
A minha voz.
Triste,
Mal-amada,
Desiludida, 
desencantada 
Mas...
Com o vosso calor 
E amor
Se tornou
Iludida 
E apaixonada.
FEV 99 
JC


POETA NÃO SOU 146

SONO/SONHO

Fui.
Tive de me despedir.
E desci
Ao fundo do mundo
E adormeci.
Receios, medos
Do mundo atribulado,
Me esqueci.
E sem sonhos 
Acordei.
E tudo recordei
Do muito mal 
Que ficou,
Do pouco de bom 
Por que passei.
Como era belo
Meu acordar
Se ...
Já vivendo a realidade 
Do presente ,
O passado, 
Não tivesse 
De recordar.
FEV 99 
JC 




POETA NÃO SOU 145

ESSA VOZ

Ai essa voz, 
Que me deixa 
solto;
Ai, essa voz,
Que me prende
Todas as minhas 
Emoções.
Voz meiga, terna, 
Que me cobre 
A alma,
Iluminando
O meu ser
E por breves
Instantes
Me faz, de alegria,
Renascer.
Voz cândida,
Que derrama ternura,
Como a nascente
De água pura
E onde me apetece 
Banhar.
Ai, se eu pudera 
Tudo alterar.
Só com o nosso 
Encontro
Irei parar e descansar.
JAN 99
JC


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

 A FALACIA DO CAPITAL


Os imperios devem a sua grandeza, quando a atingem, à grandeza moral dos seus dirigentes fazendo cumprir e seguir os valores perfilhados e mais convenientes para a sociedade que dirigem.
Foi um imperio cuja existencia dizem remontar à cerca de 35.000 anos.
O que é interessante verificar é que muitos dos conceitos, que hoje são seguidos, já naquela o eram embora com pequenas diferenças de entendimento como é natural.
Neste imperio existiam ou eram considerados três niveis de consciencia. É bom reparar que falam de consciencia no plano espiritual, psiquico e fisico.
Na sua existencia e vivencia consideram tres planos de manifestação.
O céu, morada do sol, da lua e todas as estrelas e onde habitavam as almas dos homens virtuosos, que ainda os havia naquele tempo pelos vistos.
Consideravam um segundo mundo, o da geração e dos Seres Humanos ( SH ) com as suas virtudes e os seus defeitos.
Consideravam um terceiro mundo ou mundo inferior ou infra-mundo onde moram as almas pouco evoluidas com a noção de ser ali o mundo das almas que vão nascer por necessidade de equilibrio entre os vivos e os mortos.
Consideravam o cadaver uma semente, que penetrava a terra para das suas entranhas surgir um novo SH , que o iria substituir.
Parece já terem, naquele tempo, a noção de reincarnação e de que és pó e ao pó vais voltar.
Mas agora com uma função de renovação do SH falecido surgindo das entranhas da terra um novo SH.
Era importante naquela altura a terra, muito mais do que agora e não necessitavam de medidas climaticas para a respeitar.
Neste imperio existia um codigo de moral quotidiana , que se expressava num não sejas mentiroso, não sejas ladrão e não sejas ocioso.
Pelos vistos estão muito esquecidas estas regras morais de sã convivencia nos nossos dias e para as nossas bandas.
A mais grave infracção moral era o acto de roubar, porque todos tinham o necessario para viver condignamente.
Quem roubava não o fazia por necessidade, o que seria uma atenuante, mas roubava por cobiça e ociosidade.
Como castigo era mandada cortar a mão que praticou o roubo. Uma mão ajuda a outra, logo, deviam ser as duas.
Os nossos primeiros reis tambem aplicavam este castigo. Ou a quem mata arranca-se-lhe o coração pelas costas, pobre Inês de Castro.
Toda a sociedade tinha um grande sentido de ideal de pureza pelo que nos dias determinados, que antecediam cerimonias consideradas religiosas praticavam o jejum e a abstinencia de certos alimentos como ainda hoje se pratica em algumas religiões.
Parece que não aprendemos nada de novo e não inventamos nada de novo.
Havia um profundo conceito de solidariedade sempre que ocorria alguma calamidade ou pestes ou secas ou inundações.
O exemplo dado pelas classes altas e dirigentes era fundamental para a vida e convivencia das populações.
Parece que os bons exemplos dados pelos dirigentes se perderam completamente.
A formação moral e cumprimento destes principios era incutido na criança desde o seu nascimento sendo mais importante  a pratica do dever do que o cuidado com o corpo.
Ensinava-se às crianças a serem uteis ao imperio e consequentemente a todos e sem causar dano a ninguem.
Às crianças, como parte da sua educação, eram-lhes dados pequenos bocados de terra, que a  trabalhavam, para que tivessem sempre presente , que todos deviam trabalhar.
A ociosidade era proibida e não existiam ociosos. Todos trabalhavam para sua propria subsistencia.
As terras eram propriedade do Estado não existindo propriedade privada nem terras cultivaveis ao abandono.
As terras eram distribuidas a cada familia segundo o numero de integrantes dessa familia.
Se algum membro da sociedade não podia trabalhar a sua leira, por doença ou outro qualquer motivo atendivel eram os vizinhos que cultivavam, para ele, o bocado de terra que lhe cabia.
Quando acontecia um falecimento a leira de terra , que lhe cabia era redistribuida a um novo membro da sociedade, pois que, as crianças, assim que nasciam, recebiam o seu quinhão para agricultar.
Neste imperio veneravam-se duas divindades principais: O sol e a lua. Consideravam o universo um ser vivo, que nascera, vivia e morreria.
Tambem tinham um conceito de criação, que considerava , que no principio  e na origem só havia vapor de agua, que inundava o universo. Este vapor de fumo condensou-se e formou a terra. Tambem tinham a noção de diluvio.
No interior da terra viviam os espiritos da Natureza, que criam todos os seres vivos à imagem do céu.
A terra era considerada mãe e o mar e as suas aguas eram considerados primordiais.
Terra e agua, fogo e ar eram considerados os elementos, que faziam parte da constituição de que nascera a criação.
Consideravam as colinas, as pedras, as arvores investidos de um caracter sagrado ficando no centro do sistema religioso o imperador divinizado, considerando, o seu deus nascido da espuma do lago e desaparecido na espuma do oceano, marchando sobre as aguas.
A  educação e a moral eram importantes na convivencia das populações concretizando-se numa social teocracia.
Os ociosos para comer tornam-se ladrões. Para que não haja ladrões , não deve haver gente ociosa, tendo esta ideia sido aplicada em lei.
Todos deviam trabalhar no seu proprio interesse  e em beneficio de todos , pois que todos possuiam o necessario para viver bem, com uma leira de terra e por isso, se trabalhada, ninguem tinha necessidade de se apoderar do alheio.
Consideravam, que a ordem terrestre era reflexo da ordem cosmica e o imperador enquanto sumo sacerdote era o elo de ligação e o garante da passagem da vida do aquem para a vida do alem.
Consideravam a vida uma aprendizagem constante e uma preparação para o outro lado da vida, que tambem, consideravam existir. Os mortos eram mumificados.
A unidade de destino para todos e com todos era um dos objectivos transcendental da sua educação com a argumentação mais do que com a violencia se obtem o que se quer e é necessario.
Existiam dentro do estado agrupamentos de familias, que viviam num regime comunitario, com leis e costumes particulares sob o controlo do poder central e o mais velho dessa familia era o responsavel pela organização e desenvolvimento do grupo estando todos ligados à terra e ao trabalho desta.
A terra mais que um valor economico tinha um valor  tradicional e sagrado.
Não existia propriedade privada e quando  nascia um filho este recebia uma parcela de terra, que se lhe dava em forma de emprestimo, devolvida aquando do seu falecimento.
Uma parte do tempo era destinado a cultivar  os campos dos invalidos , que por doença não o podiam fazer.
Os parasitas, os ladrões, os corruptos e os cobardes eram severamente punidos, mas a fome, a miseria e a injustiça não tinham lugar no imperio.
Este imperio chegou a ser considerado mais evoluido do que a europa e em que pautava um sistema de protecção fraterna.
O imperio procurava aumentar e dinamizar atraves da conquista. Mas raramente havia guerra.
O povo ou tribo, que se propunham conquistar eram convidados, em nome do sol, a reconhecer a autoridade do imperio sendo os seus chefes tratados com honra e com presentes.
A historia do fim deste imperio de sonho e irmandade foi destruido com a matança de 1,8 milhões dos seus integrantes em nome da imposição da " fé unica e verdadeira ".
Este imperio foi considerado ter alcançado um nivel cultural e tecnologico bastante desenvolvido o que o afasta totalmente do conceito de SH primitivos e cujo motor real desse desenvolvimento foi a magia religiosa.
Neste imperio não existia o conceito actual de capital e propriedade. Os pagamentos eram feitos em especie e trocas.
Tambem acreditavam na alma e na vida para alem da morte. A lua , dama da noite, indicava à alma o caminho para o alem superando diversas provas simbolizadas pelo oceano e pelas ondas, ate encontrar uma ilha.
As duas ordens miticas, solar e lunar, representavam dois movimentos religiosos complementares. 
Uma vez por ano estas duas ordens reuniam-se para um combate ritual. A luz solar, diurna e  a luz lunar, nocturna, complementam-se e oferecem ao SH a possibilidade de harmonizar os seus contrarios.
Alguns conhecimentos esotericos ou maximas de vida dos habitantes deste generoso imperio:
É possivel que tenhamos de ser apenas SH.
Não sou um sabio mas apenas um ser apaixonado pela vida.
Sou guerreiro; a minha espada é o AMOR; o meu escudo o humor; o meu espaço é a coerencia; o meu texto é a liberdade criadora.
Perdoem-me se a minha felicidade é insuportavel mas não escolhi o bom senso comum.
Apenas o AMOR inspira as minhas acções e reflexões.
Deixei de questionar se as minhas acções incomodam aqueles que convivem ao meu lado.
Não precisamos de correr para nenhum lugar; apenas dar cada passo com plena consciencia.
Quando permitimos, que as coisas sejam maiores do que nós, o nosso desequilibrio esta garantido.
AMO a minha loucura, que me vacina contra a estupidez.
Amo o AMOR , que imuniza contra a infelicidade que prolifera, atrofiando os corações.
As pessoas estão tão acostumadas com a infelicidade , que a sensação de felicidade lhes parece estranha.
As pessoa estão tão reprimidas, que a ternura espontanea as incomoda e o AMOR  lhes inspira desconfiança.
A vida é um cântico à beleza, uma chamada à transparência.
Peço-vos perdão, mas declaro-me VIVO E INDIO.
Set 2017 
JC








quinta-feira, 21 de setembro de 2017

POETA NÃO SOU 144

OFERTA

Ofereceram-me 
O mundo,
Mas não viram,
Que o não queria.
O que eu queria
E desejo 
É o teu mundo, 
De realidade e sonho.
O que eu desejo
É nesse teu mundo,
Recatado e só teu,
Que tens para dar,
É nele entrar
E contigo poder
Sonhar.
Um mundo melhor
Com uma unica regra
Para o regular.
Regra do Amor
E que tudo seja 
Subordinado 
Ao Amor.
Jan 99
JC

POETA NÃO SOU 143

PARTIDA

Vê-la partir
Não é bom, não.
Arranca
No seu carrito branco,
Arranhando a mudança
E não ligando 
Ao travão.
Vê-la partir
Não é bom, não.
Apetece-me pedir boleia.
Para onde, interroga?
Se eu não vou
Para lá.
Vê-la partir
Não é bom, não.
Eu só queria 
Uma boleia 
Para o seu coração.
Fev 99 
JC


POETA NÃO SOU 142 

PORQUÊ ?

Porquê?
Pergunta 
De olhos espetados,
Negando,
Negando-se,
O mimo
Que lhe quero dar.
Porque,
De quem a gente gosta
A gente cuida.
Só quero
Cuidar de você.
Porque eu,
Já não sei passar,
Sem o seu alegre sorriso.
Sem o seu olhar ,
Meigo e cintilante,
Sem o brilho
Comovente e cativante
Dos seus olhos, 
Verdes, raiados,
Como os tons 
Do verde campo.
Sem o ondulante 
Das ondas 
Do seu cabelo
Doirado,
Que apetece
Entre as mãos 
Tê-lo,
Toca-lo.
Porquê?
Porque gosto
E se gosto
Quero cuidar, 
Ate que, 
Geneticamente alterado,
O cuidar
Se transforme 
Em Amar.
Fev 99 
JC

sábado, 16 de setembro de 2017

DOGMAS DE DOMINAÇÃO

A metafisica é um falso problema pois que mada está para lá das coisas fisicas ou do existente ou seja das coisas existentes.
O problema da metafisica sendo o que esta para alem do Ser Humano ( SH ) é não um problema metafisico mas um problema metahumano ou melhor um problema metahumano, quando o SH não consegue uma explicação palpavel bastante para determinada materia ou questão atira para o saco routo da metafisica, tendo muita fé de que um qualquer milagre encontre uma explicação.
São metahumanos alguns aspectos da sua existencia e vivencia para os quais não encontra uma explicação palpavel, então esse problema ainda não resolvido passa a ser um problema metahumano pelo que se pode dizer que a metafisica não existe.
O SH precisa de uma explicação palpavel para tudo o que o rodeia  e se não encontra essa explicação rapidamente procura uma explicação para alem do seu espirito, inventando os mais variados amuletos ou divindades ou deuses onde encontrar uma explicação.
O SH tem muita dificuldade em se autoanalisar e daí o seu temor pelo desconhecido.
O SH é um ser condicionado numa primeira fase da sua vida e ainda na sua vida intra-uterina.
Essa influência fica como uma especie de marca para toda a vida embora possa haver pequenas  correcções de comportamento e ideias , quando atinge autonomia total.
Total nunca se pode dizer que o seja  pois que o SH estara sempre dependente do meio em que se move e se acaba de construir.
Esse meio de influencia abarca sobretudo a sua dependencia economica , que se boa acaba por influenciar positivamente e se má acaba por influenciar negativamente.
Cada SH, embora não o admita fica com um ferrete para o resto da vida dificil de se livrar dele.
A influencia que o SH sofre na primeira fase da sua vida acontece porque sendo autonomo e com total liberdade teorica o SH necessita para o seu total bem estar de justificação e explicação para tudo, inclusive, para a sua propria existencia.
Mas como tem uma imaginação transcendental é facil inventar necessidades espirituais.
Necessidades que criadas pelo seu espirito àvido de justificações acaba por o condicionar e acabando por o amarrar aos " medos " e à tortura psicologica da existencia justificada por um " deus" que nada resolve.
A questão da existencia do SH devia ser uma necessidade primordial de toda a ciência e de todas as especulações filosoficas com a afirmação peremptoria de que o SH É afirmando e não duvidando dessa certeza.
Procurando atraves do seu pensamento livre e autonomo concentrar esforços para se intro inspeccionar e autoanalisar não procurando no seu entorno exterior explicações que nada explicam ou explicam com uma qualquer metafisica ou uma qualquer fé.
E uma das maiores debilidades do SH é na sequencia dos seus medos inculcados e das necessidade de explicações aceitar a liderança de elites oportunistas e parasitas, que se aproveitam dessa debilidade ancestral para que o SH pareça mais tranquilo, pelo menos aparentemente.
A criação de um " deus " unico e a tentativa da sua imposição, mesmo aqueles que já  tinham a sua fé e as suas crenças ancestrais , atraves de um golpe politico religioso condenando-se à morte os que não aceitavam deixar as suas crenças de milhares de anos é a prova provada da dominação dogmatica do SH pelo SH.
Este golpe politico religioso confinado a uma parte infima da europa ocidental foi uma decisão politica das mais obscurantistas, que alguma vez se inventou.
Foram os gregos que elaboraram teorias sistematicas do Universo atraves da filosofia, respeitando no entanto a existencia dos seus " deuses ".
Os gregos pouco disseram ou mesmo nada disseram sobre o monoteismo, mas alguem se aproveitou das suas obras de tendencia religiosa, em que, segundo alguns, atingiram um alto nivel de desenvolvimento.
Não podemos esquecer que um dos arautos da reforma da biblia e criação da nova era judeu, seguindo o judaismo ate à queda de jerusalem  por volta de 340 da era actual, mas era tambem cidadão romano e conhecia muito bem as doutrinas e os ensinamentos gregos.
Apos a aprovação desta nova biblia em evangelhos escolhidos à medida, sempre houve quem não aceitasse esta alteração e estivesse disposto a seguir a nova orientação doutrinal, preferindo continuar a seguir a antiga.
Toda a Idade Media é uma confrontação intelectual entre a antiga e a nova doutrina religiosa  e rapidamente apareceram os teologos seguidores e doutrinadores da nova teologia.
Quase todos os doutrinadores da Idade Media eram homens ligados à igreja , que tinham todo o interesse em que o maior numero de SH fossem arrebanhados para a causa deles e que lhes interessava.
Mas no sec 19 já poucos eram da igreja pelo que a filosofia moderna foi criada por leigos dispostos a dar respostas à cidade natural dos SH e não à cidade sobrenatural de "deus".
A religião, a teologia e a existencia ou não de "deus" eram materias, que não eram adequadas para a especulação filosofica, sendo consideradas questões de fé cujas verdades reveladas só são atingidas para quem possui a tal dita cuja fé, sendo os membros da igreja os destinatarios da doutrina dita sagrada.
Passou a haver uma separação real entre a sabedoria filosofica e a sabedoria teologica.
Alguns filosofos post idade media pregando o seu afastamento da teologia  e da fé no entanto esforçavam-se por ganhar o céu sobrenatural e a salvação com medo da sua finitude, do pecado e do inferno.
Uma boa dialectica, já arrunada no bau das recordações, impunha-se para que explicassem o que entendiam por salvação, de que queriam ser salvos e para onde queriam ser salvos, certamente para a eternidade.
A grande diferença pode estar em que nenhum dos deuses gregos e da sua religião alguma vez reclamara ser o uno, unico e supremo ser, criador do " mundo ", primeiro principio e fim ultimo de todas as coisas.
Esta criação de uma entidade sobrenatural e criadora de todas as coisas é o maior desprimor e despromoção do SH.
Só o SH é a primeira substancia pensante, não criada e independente, que é inata ao SH.
Só o SH possui os atributos de um ser autoexistente infinito, todo poderoso, uno, unico, que apos o sopro da vida explode em toda a sua grandeza e genialidade e tudo o que o rodeia é da sua criação racional.
Tudo depende do ilustre SER HUMANO  e das sua cogitações.
SET 2017
JC









quarta-feira, 6 de setembro de 2017

POETA NÃO SOU 141 

SEM SONO

Deixa-me sonhar,
Sonhar.
Sonhar com o odor
Da tua pele,
Macia, sedosa,
Como petala de flor.
Deixa-me sonhar, 
Sonhar.
Sonhar com o relevo
Da tua pele,
Sonhar com teus montes
Alcantilados, eriçados.
Deixa-me sonhar,
Sonhar.
Sonhar com teus vales,
Verdejantes e humidos,
Semelhantes
Ao jardim do eden.
Deixa-me sonhar 
Acordado.
Deixa-me ser 
Teu amigo.
Dar-te-ei meu coração.
Desfolha-o
E deposita
Suas petalas
Na tua mão
Darte-ão
O aroma da Felicidade.
Nov10
JC


POETA NÃO SOU 140

MAR ENAMORADO

Passeava,
Beleza triste,
Atormentada, 
Pela orla da praia.
O mar
A espreitava
E seguia.
E longas ondas 
Espraiadas,
Mansamente
Os pés banhavam.
Querendo, não podendo,
Lavar sua tormenta.
Tormenta d'alma
Tormenta de mar.
Sentada no areal
Derramava seu mal.
Uma onda delicada
E perfumada de maresia
A banhou,
E o mar lhe chamou
De beleza triste
E exclamou:
Quem não te Amou.
Jan11
JC

POETA NÃO SOU 139

SEDUÇÃO

Estás linda,
Meu amor,
Com os teus cabelos
Dourados,
Em ondas suaves,
Desmaiados.
Com os teus olhos verdes
Lembrando azeitonas,
No teu rosto implantadas.
Com teu vestido,
De tons a condizer,
E que o seu feitio rodado
Te suspende no empedrado.
Com o teu perfume
Corporal
De odor natural, enebriante,
Que me atrai
E me deixa ébrio
De paixão delirante.
Mas, se nos meus olhos, 
Todo o teu encanto
Não passa despercebido,
Porque exterior,
É, no entanto, 
O teu íntimo,
Que mais aprecio,
No teu limpido olhar,
No qual adoro mergulhar.
No teu sorriso,
Espelho d'alma,

Limpida e pura,
Como a neve
Da alta montanha, ao luar.
No teu respirar,
Brisa leve,
Em tarde outonal,
Que me acaricia a face,
Qual beijo carinhoso e facial.
Porque diferente,
Do que outros vêm em ti,
O que eu gosto de ver
É a beleza do teu Ser, 
É o encanto do teu interior,
A tua beleza d'alma.
Não me seduzas Amor,
Que já há muito
Estou seduzido.
Out 98
JC

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

FALACIA DA FÉ BOA E DA FÉ MÁ

O SER HUMANO ( SH ) é bombardeado diariamente com conceptualizações ou conceptismos, que mais o oprimem de que libertam e até o torturam psicologicamente, como é o conceito de céu. Claro que o " céu " não existe e é uma criação espirita para dominação da religião e prolongamento da sua dominação psicologica do SH pelo SH.
Céu e inferno podem arrumar-se na mesma gaveta  pois que nenhum  destes conceitos tem existencia objectiva, sendo apenas uma criação espirita e instrumentos de dominação.
Algumas das reflexões que me inquietam e me espantam ou talvez não, é da maneira como as elites para dominarem, dominando, escavam poços onde arrumam as conceptualizações mais humilhantes para o SH e quando, de tempos a tempos vão ao fundo do poço buscar um velho conceito, caido em desuso, mas que de repente, reaparece, como sendo qualquer coisa de novo: " novo mundo ", nova doutrina, nova politica, etc., que de repente na defesa de uma suposta doutrina superior ( cristianismo ) rapidamente apelidam todos os outros , p.ex., como pagãos.
E pagãos passaram a ser todos os que não eram cristãos em torno do sec 4 , que os cristãos do Imperio Romano, particularmente do ocidente, usaram ou a  apelidaram, quando se referiam a um SH que não era cristão e que ainda acreditava nos antigos deuses romanos e seculares.
Mas o paganismo não era assim tão mau como algumas das suas caracteristicas mostram:
Uma das principais caracteristicas era de que a religiosidade pagã era a imanencia divina. A divindade encontrava-se ou encontra-se na natureza, o que incluia os Seres Humanos, manifestando-se atraves dos seus fenomenos.
Outra das caracteristicas muito importante era, é, a ausencia de noção de pecado, inferno e tambem a noção de santidade  e mal absoluto ou do profano.
As religiões pagãs não precisavam de templos, pelo menos inicialmente, pois que era a terra a sacrilizada, com a existencia de sitios sagrados, alguns que se mantiveram e foram aproveitados pela igreja catolica, para não afastar a clientela.
Eram os ciclos naturais e agricolas, que determinavam  e em que o calendario religioso se confundia  com o calendario sazonal agricola , o que lhe conferia um caracter de fertilidade.
Havia uma relação pessoal SERES HUMANOS/DEUSES , o que não permitia o dogmatismo das estruturas religiosas  e padronizadas havendo uma grande liberdade de culto.
Havia uma religiosidade domestica, por familia ou grupos familiares ou grandes festivais em que os rituais eram comunitarios e todos os membros da comunidade participavam.
Os feitiços traduziam uma religiosidade magica com a natureza. As divindades eram representadas ao nivel terreno o que tornava as religiões pagãs com um menor conflito interior não pregando a necessidade de se dominarem ou conter impulsos ou pulsões naturais deixando-as fluir livremente, sem culpa nem pecado.
Eram religiões intuitivas e corporais pois que os pagãos valorizavam mais a vivencia da religiosidade pelo corpo , sem a noção metafisica platonica/socratica e judaico cristã de corpo versus espirito.
A vida postmortem ou depois do fim da vida, nunca foi um ideal pagão pois consideravam que o encontro com o divino se dava sempre  em comunhão com a natureza. Madre terra dizem alguns povos sul-americanos, que mantêm uma forte ligação à terra tida como sagrada e viva, levando a um fundamental respeito a todas as formas de vida e de existencia.
Daí a cultura pagã ter uma relação magica com a natureza. Com o cristianismo abandonou-se a ligação à terra e aos seus ciclos e a importancia que tem para o SH.
Quebra-se a relação pessoal com os deuses para se criar um " mundo " espirita do pecado, do inferno, do céu, do julgamento final, para criar uma atmosfera espiritual de temor e de tortura psicologica, mesmo alem do fim da vida de cada SH. Uma tortura psicologica durante a vida e para a eternidade.
O paganismo é mais respeitador das necessidades materiais e espirituais do SH e sem medos ou torturas.
Havia que dominar e arrebanhar os antigos pagãos e nada melhor que proibir com uma primeira tentativa no ano de 392 da era deles e com a pena de morte a quem continuasse a fazer rituais pagãos.
Claro que eram mortos com um exacerbado Amor cristão.
A igreja catolica apostolica e romana nunca conseguiu extinguir, de facto, as crenças classificadas de pagãs, havendo durante muito tempo e ainda hoje uma fé dupla, em que a minha é melhor do que a tua.
Nada como perseguir e condenar à morte aqueles que tinham crenças tão ou mais verdadeiras, mais antigas e muitos SH foram condenados à morte, com muito amor cristão, acusados de bruxaria, sobretudo contra curandeiros e bruxos adeptos das medicinas naturais e não das medicinas cientificas. Preferiam um chá a uma aspirina, vá la saber-se porquê.
Depois do saque de Roma imperial em 410 da era deles, pagãos e cristãos estão em conflito aberto pois que os romanos, agora ditos pagãos, responsabilizam os cristãos pelo desastre de Roma ao abandonar o culto dos deuses, que tinham feito a fortuna e a gloria de Roma.
Logo apareceu um solicito teologo, por acaso criado e educado no paganismo, Agotinho, demonstrando ou tentando provar que a Roma não lhe faltaram êxitos com o aparecimento do misticismo e da igreja catolica apostolica e romana, acabando por concluir com algum ineditismo de que as virtudes Humanas, i.é., do SH e dos cidadãos é que explicam a grandeza do Imperio Romano do que a intervenção dos deuses ou do deus.
Pode-se concluir, que é o SH que faz a religião e não  a religião que faz o SH.
Foi uma distinção radical, que entre a cidade dos homens e tambem dos SH com pecado imperial  e a cidade de deus, virtual e sem pecado mas sem o brilhantismo de uma cidade imperial, em que as suas gentes se valiam dos seus deuses numa procura singular ou individual para marcar o seu destino, que será o inexoravel fim da vida de que os deuses ou o deus não nos podem libertar.
O cristianismo ocidental apostolico romano inculcou nos espiritos de cada crente a crença inatingivel na libertação ou salvação eterna.
Uma ficção espirita da cidade virtual de "deus", no céu.
Ago2017
JC




sábado, 26 de agosto de 2017

POETA NÃO SOU 138

DESERTO

Atravesso o deserto
De um tamanho
De desesperar.
Sonhando encontrar
Um oasis
Onde descansar.
Sedento
Parece que vou desfalecer,
Queimado pelo sol
E pela solidão.
Parece, que vou morrer,
Sem saber como se morre.
Mas o desejo
De te ver,
De sentir o teu odor.
A esperança 
De no oasis do teu Amor,
Finalmente, me encontrar,
Faz-me lutar
E tudo tentar vencer,
Para que apartados do mundo,
Refugiados,
Tu no meu
Eu no teu Amor,
Nos deixem,
Não no deserto,
Mas num oasis de felicidade
E encantamento,
De que os nossos corpos
Serão o alimento
E o fogo do nosso Amor.
Out 98 
JC



POETA NÃO SOU 137

MADRUGADA

Espero a madrugada,
Madrugada com aurora,
Que me trará a hora
De encontrar a felicidade,
Que perdi,
E me fez entrar
Numa longa noite
De solidão,
Que me traz negro o coração
De solidão,
Sem amor, sem mão 
Amiga para estender.
Espero essa aurora,
Ansiosamente,
Desesperadamente,
Com receio, que seja,
O meu ultimo anseio
De poder expressar
O meu sentimento
Apelidado de "louco".
E ao ouvido
Te poder sussurrar,
Que és a minha aurora,
Nascente de alegria,
Que das cinzas
Me fez renascer
E me fez acreditar
Que o ser 
Ainda pode renascer.
E dar-te
O que mereces,
O que desejas, 
Do viver.
Out 98
JC


POETA NÃO SOU 136

SONHO

Queria,
Que minh'alma
Fosse um areal,
De areia fina, 
Dourada,
Do tom
Dos teus cabelos, 
Enleados,
Onde
Ao passares
Ficasse o teu pé 
Gravado.
Onde, deitada,
Ficasse
A silhueta 
Do teu corpo
Gravado, qual negativo, 
Para que nas horas vazias 
Pudesse, em sonhos,
Dar carícias 
Ao teu busto,
Às tuas ancas,
À tua cintura fina.
E se molestado
Pelo vento,
Mais violento,
Te protegeria
E cobriria 
Com fina pelicula
De areia fina 
E leve
Para te proteger
Da intemperie, 
Qual unguento
Que não deixasse, 
Que qualquer mal
Te acontecesse.
Não sou areia,
Nem unguento.
Olho-te e sonho.
E de não o ser 
Me lamento.
Dez 98 
JC