domingo, 26 de maio de 2019

POETA NÃO SOU 180

SEM AMARRAS

Solteiro, Viúvo,
Órfão e só.
De nada sou.
Nada tenho.
Nem vidente
Que me acompanhe.
Excluído
Da convivência,
Mais chegados
Ou mais afastados,
De entes repelentes
Como feras rastejantes.
Os mais chegados
Repelem-me.
Os mais afastados,
Cada vez mais o são.
Rótulos de magia
Causam
Claustrofobia.
Estendo a mão 
Desinfetada,
Mas o rotulo Invisível,
Que ninguém vê,
Mas em que cada um crê,
Vigora com força.
Gritam
Infectado,infectado.
Sem lamento
Vivo na ilusão,
Solteiro, Viuvo,
Orfão e só.
Vivo uma vida
De vidente,
Sem videntes.
Boiando
Na parte escura 
Da semivida.
26MAI2019
JC



sábado, 25 de maio de 2019

FALÁCIAS IDEOLÓGICAS 179


Cada Ser Humano ( SH ) é fruto da predeterminação pela fecundação dos ADN conjugados pelos seus progenitores.
O SH por isso nasce puro e sem qualquer influência negativa e não precisa de nenhuma ideia de outro ser, ideal ou concreto,  acima do SH e que lhe seja superior.
A sua genética permite-lhe nascer com querer e com poder e com conceitos de moral, enquanto reflexo de um ser livre e possuidor de uma perfeição natural.
Ao ser enfrentado com as vivências mundanas, o SH sofre críticas e censuras, que o molestam e que o leva a procurar no seu exterior , todas as explicações para as suas limitações e debilidades e sobretudo, com muitos temores e daí a explicação da relação da religião com a natureza do SH deixando flutuar um elemento moral puro - a religião irracional.
A religião é irracional - foge da essência do Ser e procura no exterior de si possíveis soluções impossíveis.
O SH é doutrinado no pecado, ainda numa fase de não aplicação do seu livre-arbítrio e como forma de humilhação do SH para que não goze de toda a sua superior plenitude, face a qualquer ente ou entidade que querem que o domine.
O SH nasce limpo e são os interesses , que o contaminam para o poderem dominar.
Como é livre e puro é arrastado para a mediocridade ou para o mal.
O SH torna-se mau, não porque lhe seja inato mas por influências e vivências , que adquire logo após o seu nascimento, senão antes. Veja-se o caso da criança que nasce Buda.
O SH não é mau na sua natureza mas torna-se moralmente mau por influência dos seus doutrinadores, como é o caso das escolas politicas e religiosas.
Como SH Absoluto é o criador de todas as leis , que conformam a sua existência e que lhe são transmitidas pela educação dos mais experientes .
Através do seu livre-arbítrio o SH decide que via seguir - do bem ou do mal ou assim assim.
Não existe um  mal radical na natureza do SH.
O SH é puro antes da experiência com outros ou da sua educação  e é a partir daí, que se transforma em ser impuro.
O único fim do SH devia ser apenas e só a procriação e o melhoramento da espécie Humana.
O SH desde a sua criação, como ser Incriado, só tem disposição para a Humanidade e não se confunde com a animalidade e nada tem a ver com ela - O SH é o SH - o animal é o animal. Não ofendam o macaco.
O SH não cultiva o Amor de si em profundidade, para obter para si mais valor na opinião dos outros, não concedendo a ninguém superioridade sobre si, embora, tenha receio de que os outros possam a tal aspirar.
O SH é supremo e soberano e como tal, cada SH, dotado de uma personalidade pessoal e única, que o pode arrastar para comportamentos moralmente edificantes, para consigo e para com os outros SH ou para os mais aberrantes vícios, vícios bestiais, embora alguns destes comportamentos sejam condenados normalmente pelas elites, que se consideram superiores em todos os comportamentos aos demais.
Um comportamento, que hoje foi considerado aberrante, ontem não o foi.
A personalidade única de cada SH não devia permitir , que concedesse a ninguém superioridade sobre si, qualquer que seja essa entidade- económica, cientifica, politica ou religiosa.
O SH dotado de liberdade e livre-arbítrio molda e adquire o seu carácter de acordo com as suas vivências experimentadas e com os ensinamentos que lhe são inculcados, sendo que a primeira disposição é para o bem.
O SH no seu Ser não tem nenhuma disposição para a animalidade, porque não é animal. Não pertence à classificação de animal, mas tem uma unica disposição para a Humanidade, que a sua personalidade cultiva e molda com maior rigor ou com mais ou menos desvios, comportamentos normalmente adquiridos e influenciados pela educação e pelo ensino.
O SH nasce puro e ainda no ventre da mãe começa a aprender e registar algo do que ouve, particularmente a voz materna.
Os seus sentidos após o nascimento apreendem tudo com uma esponja sedenta de conhecimento. E tudo regista.
Todas as vivências são registadas e conservadas e havendo alguma propensão para o mal é no entanto com os ensinamentos que o envolvem e devido a alguma fragilidade Humana apreende as imoralidades e a violação da lei como normalmente lhe é dado assistir e conviver , porque existem muitos vícios sob a aparência de virtudes até que a mascara um dia cai e os vícios da cultura e da civilização ficam expostos.
Nem pecado original, nem enfermidades hereditárias, pois que o SH nasce puro ou até antes pois é concebido na máxima pureza e no silêncio e grandeza da sua concepcão sexual.
O SH nasce puro e limpo e com natural disposição para o bem.
É através da educação e da colheita dos seus sentidos , que passa  a ser progressivamente um ser livremente operante e sem qualquer influência dos seus antepassados na influencia de um rebelde e da sua má índole.
Tomando consciência progressivamente é seu dever ser bom e dever seu melhorar, sendo um Ser dotado de liberdade e disposição para o bem, salvo se a educação dos mais velhos o inclinou e determinou para a prática do mal não tendo transitado do estado de inocência para o mal, apriorísticamente.
Não existe nenhum fundamento a partir do qual possa ter chegado ao SH pela primeira vez o mal moral .
O SH tem uma inclinação genuína para o mal , que o incita à transgressão e é uma disposição de ânimo, que se torna como que  um inimigo, que o maltrata e o perverte.
As inclinações para o mal fazem parte da sua liberdade mas não são internas, mas podem ser despoletadas pelo ambiente que o rodeia, se esse ambiente navega no mal.
O SH nasce puro, supremo, divino, daí ser criador de todas as divindades, próprias e alheias.
O SH nasce puro e perfeito, dotado de liberdade total para dirigir os seus actos, por bem ou por mal.
A toda a hora o seu dever é fazer o bem, que está em seu poder para si e para os seus semelhantes.
Nasce com uma única riqueza que é a sua VIDA, que lhe foi transmitida pelos seus progenitores.
No entanto o SH olha para a VIDA , não a partir do começo, mas do seu termo, numa retrospectiva, dali para o início, julgando-se a partir de percepções pessoais de boa ou de má disposição de ânimo , ou seja, de boa ou de má conduta, podendo já não haver  tempo para ingressar numa boa conduta.
O SH nasce perfeito mas os ensinamentos e a convivência com outros podem arrastá-lo para o mal e as más intenções, podendo considerar a corrupção e a prática do mal como arreigada na sua disposição de ânimo.
No entanto o uso da sua consciência judicativa pode lavá-lo a cortar tanto quanto possível com o mal.
O SH é unico, incriado e  criador de todos os conceitos.
Não se limita ao Ser mas quer também o ter. E o ter cada vez mais.
Não se limita ao existir com principio e fim. Mas não aceita a sua finitude.
Não se limita ao material e ao fisico.
Mas necessita intrinsecamente do metafísico e do infinito.
MIO 2019
JC































































































































sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

DOGMA DA " DEMOCRACIA " 178


1789, em frança, pode ter dado inicio à revolução permanente ou melhor, ao aparecimento de revoluções , quase continuas.
Já antes, em 1500, as descobertas marítimas, melhor, os achados marítimos, como muito bem dizem os Brasileiros, tinha alterado as relações sociais e políticas em África e sobretudo na América do sul.
O que deram as descobertas foi, sobretudo, uma desumanização das populações autoctenes, que se encontravam ancestralmente nos territórios achados.
O governo português e espanhol de então tomaram a dianteira e " democraticamente " dividiram o planeta terra em duas partes, uma para cada um.
Os povos achados foram subjugados e doutrinados contra a sua vontade, porque os políticos colonizadores agiam em nome da " democracia".
Daí, em 1789, se ter achado a revolução , que a aristrocacia europeia  não era " democratica ". Começou aí Guantanamo ou os governos de Siria, Iraque e Venezuela, também não são democraticos?????!!!!!
Criou-se o mito e dogma, de que era necessário estar e viver em " democracia", que politicamente, se resume a um carnaval eleitoral, após campanhas pagas pelos contribuinte e interesses instalados, mais ou menos ruidosas, apelando ao depósito do voto e  este é o cerne da dita " democracia ", nem que o voto expresso seja de uma minoria.
Não interessa. É preciso iludir o Zé pagode de que a " democracia" tem que estar representada no poder ou na política.
Uma e outra caminham lado a lado e mentem com todas as letras e com os dentes todos.
Exércitos treinados e equipados e pagos a peso de ouro, a maioria compostos por mercenários são enviados para países dissidentes para abafarem " democraticamente " as contestações ou revoluções locais.
Hoje, desde 1500, é o que se passa em muitos países de África , podendo dizer-se, que se encontram ocupados pelos exércitos europeus e da OTAN.
Querem desfazer-se a qualquer preço  e o mais barato é matar o suposto inimigo, caso dos judeus/palestinianos, da Libia ocupada, da Siria ocupada, do Iraque ocupado, fantasiando os políticos colonizadores um confronto com os residentes, entre influencias anglo-saxónicas e francófonas e seus interesses, mais económicos do que políticos.
Habituados a rapinar e massacrar desde as descobertas não querem largar o osso, sem impor a " democracia ". Não é verdade ALLENDE?!
A maioria dos eclesiásticos comprazem-se no colaboracionismo, quando são demasiados pobres para abortar numa clínica fazem-no discretamente.
O discurso do bobo, que cria raízes na esquerda, enquanto vai surfando na vaga antiliberal, agarrado a uma ordem de coisas, que nunca existiu, numa clara fuga ao real.
A crise cultural não nasce do desenraizamento da gens ou da globalização, mas da incapacidade de um e outro.
O paraíso é a guerra fria vivida do lado " bom ".
Denunciar as injustiças  e as falhas da sociedade política, elitista, é útil, necessário e vital.
Há uma recusa constante em ir ao fundo da experiençia democrática europeia e por isso se encontra submersa no formol e no formal.
Enviar os soldados necessários a oito mil Kms de distancia , a fim de salvar um regime racista , mas amigo, continua a não custar mais que um simples telefonema  e é " democrático ".
É imperioso um regresso à noção de obscenidade , que atinge o próprio cerne da " democracia ". Talvez os coletes amarelos possam dar uma ajuda, não?
É tudo uma questão de visível e invisível, de campo e fora de campo,  de democrático ou anti.
Ignora-se convenientemente , o que fazem os soldados mercenários no coração de outros países ou até de um continente.A partir do momento em que o governo deixa de ser o representante de uma instância  transcendente, deus, a história, a raça ou a nação, entidade dotada de uma essência própria, mas apenas do corpo eleitoral, a natureza da representação muda e implica a dessacralização da relação com a autoridade.
Os palácios da republica conservam uma aura de mistério e de religiosidade, que não os seus ocupantes actuais.
O coração deles tinha as suas razões , que a razão publica tinha por dever ignorar.
Contesto a ideia de domínio privado pois parece contradizer a " democracia ", mesmo que virtual.
Vivemos numa sociedade totalmente situacionista, que tende a auto destruir-se.
Os representantes políticos estão fascinados por lendas políticas e inscrevem-se em dois mil anos de situações situacionista , assim como da história de vários genocídios sem importância.
Não são os feitos, que estão na base da política estrangeira mas a história, os preconceitos, ou a rotina  ( exemplos Ruanda e jugos lávia ).
Opacidade, verticalidade, passadismo e gerontismo continuam a ser as tetas do poder.
Há centenas de pequenos chefes, que dominam a política e as empresas invisíveis e o capital financeiro!.
A experiência e o pronto primam sobre a iniciativa.
Existe um chefe nas comunidades tribais amazónicas mas é destituído de poder.
A sua linguagem é uma anti comunicação, não se pode responder-lhe , mesmo o que se escute.
As sociedades, ditas primitivas, não precisaram de ter conhecido o " estado".
A representação do poder oferece-se a estas sociedades como o próprio meio de o anular.
O poder do rei, ou dos presidentes da republica, nada mais são do que a soma das nossas renuncias.
O estado vem em segundo lugar pois não é nada em si mesmo onde o povo se aliena na imagem da unidade do estado, podendo opor-me a ele, negar a sua  autoridade  e mesmo a sua  existência, sem cair num estado de natureza pré-política.
Ninguém reina inocentemente e sem impor no poder um controlo político/financeiro e mediático permanentes.
Elegemos e voltamos a eleger as marionetas do poder político/financeiro, que ninguém sabe onde mora.
Os partidos  estão reduzidos à mediocridade, a política ultrapassada e o estado aniquilado. Só vale a rapina.
Mas apesar de a história não ter acabado, os políticos quase todos, profissionais e vendidos sentem necessidade da política.
As badaladas ruturas limitam-se a discursos bonitos e o rejuvenescimento, quando anunciado não passa de uma fachada.
Pouco importa que seja este ou aquele a ocupar ( deter ) o poder, desde que seja a favor das elites dominantes.
A revolução dos espíritos transforma o espírito das revoluções : Não é uma revolução, é apenas uma mutação sem genes.
No ocidente ( europa ) parte-se do principio de que a " democracia " , o dogma democrático, é uma coisa adquirida e vivida e a fomentar. É preciso manter a ilusão.
É preciso acreditar e ter fé de que a política do capital financeiro vai levar os desenraizados mais necessitados à igualdade, fraternidade e liberdade, ideias de 1789.
Os desenraizados, vulgo, os mais necessitados, nunca mais voltaram a encontrar as suas raízes, apesar de discutirem e se autodestruirem.
Apesar de todas as pessoas mudarem por diversas vezes o desenraizamento é irrecuperável, atoladas numa sociedade burguesa e capitalista.
Atados às camisolas políticas, sociais e morais, amordaçadas e violadas, ao seu império e guerras coloniais, médio oriente, Àfrica e América do sul, os políticos deixam-se ficar para trás sem recuperar o tempo perdido e o desgaste provocado.A europa esta a cavar  a sua própria sepultura e não pode prosperar. VAI ACABAR.
FEV 2019
JC

  










domingo, 27 de janeiro de 2019

POETA NÃO SOU 177

NA MARINHA 

Observando 
Ao longe
Os embriões,
Que embriões
São
Manifestações
De incompetência,
De labores 
Inacabados
E não fecundados.
Deixa-os Hibernar
E talvez
Os meus tetradescendentes
Os possam
Fecundar.
Ali ao lado,
Ao luar
E perto do mar.
Embriões,
Finalmente,
Acabados
À luz do luar.
Despertei-te ,
Mas não gostas-te
Da minha virilidade,
Mas nem por isso
Deixas-te de dizer,
Que era 
Muito possessivo, 
Que não omisso,
Nem submisso.
Jan 2019
JC

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

POETA NÃO SOU 176

EM SONHOS

Filmei-te,
Toda nua,
Na casa de banho :
Que merda mais negra.
( Pros puristas )
Que fezes mais negras.
Passas-te 
Para o quarto.
Que corpo
Mais insensível,
Com cheiro a comercial,
E eu crente
E inocente,
De que seria o teu amor.
Teu corpo,
Não exalou
Odor a traição
E quase tudo 
Foi em vão :
O filme e o sonho.

Desculpa
Ter sonhado contigo,
Como se fosse
Teu amigo.
( Um inocente amigo )
Desiludido 
E esquecido amigo.
Jan 2019
JC

domingo, 20 de janeiro de 2019

POETA NÃO SOU 175

FILME

A minha vida ,
Sempre aos solavancos,
Caminhando
Numa estrada de maquedame
Buraco sim, buraco não,
Com tendência 
Para buraco sim, buraco sim.
Chego todo esconchavado
Em pouco mais
De meia viagem.
Mais à frente
Um poço,
Quase sem fundo,
Cheio de ilustres 
E muita corrupção.
Fedor a podridão.
Bati em cheio.
Não desmaiei
E esperei
Um novo dia,
Uma nova aurora.
Maldito eclipse!!
Tinha de ser agora.
Jan 2019
JC


sábado, 19 de janeiro de 2019

POETA NÃO SOU 174

ODE AO SER HUMANO

Restringe-te 
Individuo imperfeito;
Capa-te,
Pecador carnal;
Não sonhes
Ideias nobres;
Deixa-te 
Subjugar e dominar;
Não aspires 
A menos sofrimento;
És apenas um animal
Igual a tantos outros.
Olha o macaco,
E vê o que pareces.
Desperta concidadão.
Acorda concidadão.
Não lutes
Contra a tua condição
Menor.
Não sonhes, nem inventes.
Nunca, mas mesmo nunca,
As elites
Te vão deixar ser,
Um SER HUMANO.
Nunca serás 
UM SER HUMANO.
Lamento.
JAN 2019